10 vezes em que os nazistas tomaram conta da política brasileira

Você talvez nunca tenha percebido isso, mas os nazistas invadiram definitivamente a cena política brasileira. E não pense que eles são um retrato específico de algum partido, de uma bancada no Congresso ou de uma representação ideológica. Os nazistas fazem parte do todo, infiltrados nos partidos mais tradicionais e nos nanicos.

Se você acha que isso não faz o menor sentido – afinal de contas é possível contar com os dedos de uma mão a quantidade de vezes em que vimos nas últimas décadas candidatos evidenciando abertamente pautas nazistas – isso talvez tenha ocorrido porque você não anda prestando muito atenção às declarações das principais figuras públicas brasileiras à imprensa.

Volta e meia elas aparecem – aos montes, quase como se houvesse uma Lei de Godwin para os nossos caciques políticos. Lula, Aécio, Dilma, Luciana Genro, Bolsonaro, ninguém escapa dela. À direita ou à esquerda, nas nossas rasas discussões políticas, apelar à filosofia assassina de Hitler é uma constante.

Aqui, as 10 vezes em que os nazistas tomaram conta da política brasileira e você nem percebeu.

1. Quando o PSDB adotou táticas nazistas para atacar o PT. Segundo o PT.

Scene along roadway to the Fallersleben Volkswagen Works cornerstone ceremony, Germany, 1938.

Aconteceu na última eleição. A presença da expressão “nazismo” na discussão política afetou a então principal figura de oposição do país: Aécio Neves.

Em Pernambuco, num comício há poucos dias do segundo turno, o ex-presidente Lula comparou aquilo que ele interpretava como agressões aos petistas pelos tucanos e pelo candidato do PSDB ao comportamento dos “nazistas na Segunda Guerra”.

“De vez em quando, parece que estão agredindo a gente como os nazistas agrediam no tempo da Segunda Guerra Mundial, como o fascismo agredia. Eles [tucanos] são intolerantes. Outro dia eu dizia para eles: ‘Vocês estão mais intolerantes que Herodes quando mandou matar Jesus Cristo quando ele nasceu, com medo de ele virar o homem que virou. E vocês querem acabar com o PT, querem acabar com a nossa presidenta, querem achincalhar ela, chamar ela de leviana’. Só pode ser feito por um ‘filhinho de papai’ porque o nordestino jamais faria isso.”

A Confederação Israelita do Brasil lançou nota repudiando as declarações. A organização, apartidária, disse rejeitar “a banalização de um episódio trágico para a Humanidade, como o nazismo, responsável pelo Holocausto, com a morte de 6 milhões de judeus, e o assassinato de dezenas de milhões de outros inocentes”. Também disse defender “enfaticamente” o direito à crítica, com a ressalva que “comparar adversários de um embate eminentemente político e ideológico a nazistas distorce a História e corrói nossa democracia”.

Um dia antes do episódio, Lula usou sua rede social para dizer que um governo do PSDB representaria “o genocídio da juventude negra” brasileira.

Muito antes disso, ainda às vésperas da campanha de 2010, ele já havia ligado os tucanos ao nazismo.

“Eu peguei duas manchetes de jornais hoje. Uma dizia: “Contra Lula, o PSDB treina cabos eleitorais no Nordeste”. Ou seja, é um pouco o que o Hitler dizia para os alemães pegarem os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam.”

A luta política havia se mudado para os campos de concentração.

2. Quando o PT adotou táticas nazistas para atacar o PSDB. Segundo o PSDB.

Reich Veterans Day, 1939

Antes disso tudo, ainda durante a corrida eleitoral de 2014, Aécio já havia carregado o nazismo para dentro do cenário político brasileiro.

“A presidente pode fazer todo esforço que quiser. Ela pode seguir seu marqueteiro, que na verdade me parece discípulo de Gobbels, o ministro da informação de Hitler, que dizia que uma mentira repetida mil vezes se transforma numa verdade. Mas aqui eu não vou deixar que isso aconteça. Meu governo em Minas foi honrado do começo ao fim.”

A frase se tornaria um mantra para atacar a campanha dirigida por João Santana durante as eleições.

3. Quando o PT adotou táticas nazistas para atacar a campanha de Marina Silva. Segundo a campanha dela.

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Aécio não foi o único a questionar o tom de campanha do Partido dos Trabalhadores nas últimas eleições. Ainda no primeiro turno, Beto Albuquerque, candidato à vice de Marina Silva, também declarou que a campanha do PT se utilizava de métodos nazistas para atacar a sua parceira de chapa. Segundo ele:

“O PT usa os mesmos recursos de Goebbels para vencer a eleição a qualquer preço.”

Um dia depois, foi a vez de Marina fazer referência a Goebbels:

“Tem gente que acha que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Eu não concordo.”

69 anos depois de sua morte, Joseph Goebbels, o Ministro da Propaganda do Reich na Alemanha Nazista, ainda era figura cativa na discussão política brasileira.

4. Quando José Serra virou nazista numa propaganda do PT, irritando o PSDB.

Volkswagen Works cornerstone ceremony, near Wolfsburg, 1938.

Em 2012, a campanha de José Serra, então candidato à Prefeitura de São Paulo, reagiu com furor à publicação de um vídeo no site do então candidato petista Fernando Haddad, que comparou o tucano a Hitler. O coordenador de mobilização da campanha tucana, o deputado Walter Feldman (atualmente no PSB e assessor do presidente da CBF), classificou de “inaceitável” esse confronto.

“É inaceitável que façam comparação com o período que nós repudiamos como aquele que produziu o holocausto. É de um baixo nível extremo. Quem não pensa igual a eles (petistas) deve ser discriminado (na visão deles). O PT tem uma tendência totalitária. É quase inacreditável que no século XXI esses indivíduos que um dia lutaram pela liberdade façam comparação com o período que a gente pretende ver como algo que nunca mais se realizará no mundo”, disse Feldman.

Feldman disse que “não há na história do mundo ninguém que possa ser comparado ao Hitler. Isso é baixar o nível a um patamar baixíssimo”.

5. Quando José Serra acusou o PT de ter uma tropa nazista na internet, irritando o PT.

Nazi rally, 1937.

Na campanha à prefeitura de São Paulo de 2012, pouco tempo antes de estrelar um vídeo nazista no site oficial do candidato Fernando Haddad, José Serra também trouxe o nazismo à discussão política. Serra disse que o Partido dos Trabalhadores tinha tradição em “espionagem”, “violação de sigilo” e “pancadaria” e que sustentava uma “tropa de assalto” nos moldes da “SA nazista” para difamá-lo na internet.

“Eles têm tradição nisso: em 2002 fizeram espionagem. Em 2006, o dossiê dos aloprados. Em 2010, violação de sigilos. E pancadaria. Eu pessoalmente sofri pancadaria. (…) Há uma verdadeira tropa de assalto na internet. A SA nazista tem outra configuração no Brasil atual, que é via internet.”

A fala gerou revolta no PT, de forma especial em Antonio Donato, coordenador da campanha de Haddad.

– Pergunta qual foi a ação da tropa de choque do Serra na eleição da Dilma, o que ele fez no caso Lunus [em 2002].

Não houve resposta do gabinete nazitucano ao gabinete nazipetista.

6. Quando a Agência Brasileira de Inteligência virou polícia nazista. Segundo um líder tucano no Senado.

Adolf Hitler and Joseph Goebbels (in box) at Charlottenburg Theatre, Berlin, 1939.

Em 2008, o então líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (atual prefeito de Manaus), condenou o episódio do grampo no STF (Supremo Tribunal Federal), quando escutas revelaram conversas entre o presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (então no DEM de Goiás). Virgílio comparou a Agência Brasileira de Inteligência, suspeita de ter sido a autora dos grampos, à polícia nazista de Adolf Hitler.

“Isso [os grampos] significa uma ameaça ao próprio presidente da República. Não quero que a Abin se torne uma SS, não quero o Brasil com Hitler nem com SS”, afirmou.

O então ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que a preocupação do senador Arthur Virgílio era válida, e manifestava “uma preocupação que é de todo democrata”.

7. Quando a mídia brasileira virou nazista. Segundo um ex-Ministro da Justiça.

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O próprio Tarso Genro também trouxe o nazismo à cena para falar sobre o papel da mídia política brasileira. Aconteceu há poucos dias. Através de uma rede social, Genro atribuiu características de nazismo ao tratamento dispensado a Lula, investigado pela Justiça, pelos grandes grupos de comunicação do país. Lula virou o judeu da década.

“A mídia faz de Lula o judeu da década, como os nazis fizeram deles e comunas os alvos do seu ódio à democracia social. É só ler. Weimar”, escreveu.

Aparentemente, para Genro, o tratamento dado a Lula pela imprensa brasileira é compatível com o que os judeus recebiam nos campos de concentração.

8. Quando o tucano Beto Richa virou Hitler. Segundo o PSOL.

Adolf Hitler salutes troops of the Condor Legion who fought alongside Spanish Nationalists in the Spanish Civil War, during a rally upon their return t

Luciana Genro, filha de Tarso, também fez alusão ao nazismo para criticar a oposição. Em seu perfil no Facebook, Luciana postou uma mensagem chamando o governo do Paraná, o tucano Beto Richa, de “Hitler do Paraná”. A publicação veio acompanhada de um vídeo no qual a ex-candidata à presidência criticava duramente a ação da Polícia Militar em Curitiba diante de um protesto de professores. No ato, mais de 150 manifestantes ficaram feridos no que foi chamado por ela de um “massacre”.

“Fora Beto Richa, o Hitler do Paraná!”

O Juntos, movimento político ligado ao PSOL, também lançou nota chamando Richa de “Hitler do Paraná”.

9. Quando Jair Bolsonaro virou Hitler. Segundo manifestantes ligados à UNE.

Crowds cheering Adolf Hitler’s campaign to unite Austria and Germany, 1938.

Há cinco anos, manifestantes ligados à União Nacional dos Estudantes, a movimentos indígenas, negros e religiosos organizaram um protesto na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados comparando o deputado Jair Bolsonaro a Adolf Hitler. A ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse durante seu discurso na comissão que “enquanto existirem pessoas racistas e homofóbicas, o Brasil não vai ser um país digno”.

O deputado Jean Wyllys (do PSOL carioca) também se manifestou. Segundo Wyllys, tudo isso teve um lado bom: “mostrou que a sociedade é racista e homofóbica”.

10. Quando Dilma virou Hitler. Segundo Jair Bolsonaro.

Adolf Hitler speaking at the Lustgarten, Berlin, 1938.

O próprio Jair Bolsonaro, chamado de Hitler por seus oposicionistas, já trouxe o nazismo à discussão política para atacar justamente a sua oposição. Há pouco mais de dois anos, durante uma sessão da Comissão de Relações Exteriores, o deputado carioca fez a comparação entre Dilma e Hitler ao criticar a importação de 4 mil médicos cubanos por meio do programa Mais Médicos.

“Eu duvido que qualquer médico espanhol ou argentino topasse que seu salário fosse pago por seu país nessa chicana que o PT propôs agora para o governo cubano. Nenhum país ia produzir médico em escala industrial como Cuba fez se não tivesse para onde vender. É a exportação de ideologias. Eu vejo a nossa presidente como uma pessoa semelhante a Hitler de saia. A verdade dói.”

No Brasil, aparentemente todos os políticos são nazistas até que se prove o contrário.