7 dicas para quem quer ser economista

Nesse texto vamos dar 7 dicas sobre a formação e a carreira de economista para aspirantes, sejam eles vestibulandos ou autodidatas!

 1. Seja Sincero: Por Que Você Quer Fazer Economia?

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Essa é a principal pergunta. Afinal de contas, o que lhe motiva a querer estudar economia?

Economia é a ciência da ação humana. A teoria econômica versa sobre causa e consequências de modos de agir. Ela também versa sobre instituições, como as mesmas se formam e quais suas consequências práticas.

A teoria econômica lhe ajuda a entender a história do mundo real, mesmo que seja algo distinto da última. Ela irá elencar as diversas forças em atuação num dado momento, e caberá ao economista, empiricamente, tentar verificar o peso de cada uma delas.

A teoria econômica será a sua lente e filtro para o passado, presente e possível futuro, mas não será seu termômetro. A teoria mostra as possíveis causas para uma determinada consequência. Caberá ao cidadão versado na teoria buscar medir na prática quais das causas são as mais relevantes num dado período.

Por exemplo, com a teoria você aprenderá quais são as forças que interagem na formação de preços, os efeitos do aumento da quantidade de moeda, os efeitos das estruturas de incentivos nas instituições. Mas apenas com métodos empíricos você poderá tentar quantificar quais forças foram e são mais relevantes num determinado período.

A teoria econômica é uma ferramenta. Assim como são diversas outras que um profissional precisa aprender. Se você pretende estudar economia para ganhar dinheiro com ela, tenha isso em mente.

Dominar essa ferramenta depende de seu plano de vida ou de carreira. Em maior ou menor grau, um profissional de mercado que trabalha no mundo corporativo precisa da teoria econômica. Mas os custos de dedicar certo tempo a ela podem não ser muito recompensadores.

Já se você pretende ser acadêmico, seja na área de teoria pura ou na área histórica (empírica), você precisa domina-la.

2. Não Faça Faculdade de Economia

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Podemos elencar apenas duas situações na qual um interessado na ciência econômica precisa cursar o curso acadêmico tradicional, presencial. São as duas do último parágrafo anterior, ou seja, se você quer virar um professor acadêmico.

Primeiro porque a hierarquia acadêmica exige o curso. Para ser professor dos baixos escalões costuma-se exigir graduação e mestrado. Nos altos escalões costuma-se exigir doutorado.

Segundo porque boa parte das discussões que povoam as pesquisas e jornais acadêmicos é uma espécie de “metaciência”, ou seja, uma ciência de si mesmo. Discute-se qual a metodologia correta, qual a teoria correta, qual o melhor método empírico, enfim, coisas que dizem respeito à academia propriamente dita. Logo, você precisa vivencia-la.

Terceiro porque um professor de economia supostamente deveria ser um perito em teoria econômica. Logo, ele deveria se especializar nesta ferramenta e a academia pode fornecer melhores recursos e ambiente para tanto.

No entanto, se seu objetivo inclui aprender economia para preparar-se para o mundo corporativo, empreender uma empresa por conta própria, tentar fazer fortuna no mercado financeiro, ou simplesmente porque tem curiosidade sobre o assunto, simplesmente não curse um curso acadêmico em economia.

Por quê?

Uma resposta rápida seria a de que os custos não compensam os benefícios.

A resposta aprofundada é a de que o conhecimento obtido e as ferramentas aprendidas simplesmente não valem o tempo desprendido e/ou o custo monetário incorrido.

Por mais que se tente mostrar com dados empíricos que a obtenção de um diploma em economia está correlacionado com um incremento na renda, a mesma renda pode ser obtida através de uma miríade de alternativas mais eficientes.

E qualquer outro suposto plus de um curso acadêmico formal – como networking – pode ser obtido de formas muito mais eficientes, como dentro do próprio mercado de trabalho.

A troco de informação, os EUA vivem atualmente uma bolha no setor de educação universitária, devido ao crédito governamental subsidiado. O resultado: mensalidades inflacionadas e estudantes recém-formados endividados com diplomas de pouca utilidade.

 3. Não Há Imparcialidade Na Faculdade

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Hoje em dia a academia, ao menos no ramo da economia, é uma grande trincheira ideológica, nem sempre anunciada.

Não necessariamente os currículos acadêmicos são moldados para debater pluralmente visões opostas sobre o que é economia e seu método, qual a teoria correta e quais os melhores métodos de pesquisa empírica.

Muitos currículos são moldados partindo da visão que se espera que o aluno deva ter ao acabar o curso, ao invés de estimular livre pensamento e crítica.

Muitas matérias se encontram na grade simplesmente porque são objeto de pesquisa de um professor já estabelecido, sem relação com um todo.

Existem visões simplesmente renegadas independentemente de seus méritos explicativos teóricos ou empíricos.

A maioria das casas também irá fazer os alunos lerem interpretações históricas com um determinado viés. Mas se as mesmas sequer possuem uma doutrina sistemática sobre teoria e método, como poderão discutir cientificamente coisas que deveriam ser aplicações da teoria?

Ou seja, até mesmo se você pretende virar um professor acadêmico, você encontrará dificuldades caso queira ser um pensador independente ou não queira jogar as regras do jogo vigente.

4. Você Pode Customizar As Ferramentas A Sua Meta

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Pretendendo ou não seguir a carreira acadêmica, o aspirante a economista deve entender que a teoria econômica é uma ferramenta.

Um curso acadêmico em economia irá fornecer diversas ferramentas, não só teoria econômica pura. Irá oferecer noções de contabilidade, finanças, métodos estatísticos.  Mas ele o fará de forma padronizada.

Alguém que deseje ser especialista em finanças não precisa ser especialista em nuances de teoria das instituições. Alguém que deseje atuar com pesquisa empírica não necessariamente precisa entender com a mesma ênfase as mesmas ferramentas de gestão como alguém que pretenda seguir uma carreira corporativa.

Dessa forma, não tenha vergonha e abrace o pacto da mediocridade. Se estiver em algum curso formal, otimize seu tempo. Se a ferramenta apresentada numa matéria não lhe interessa muito, simplesmente faça de tudo para passar na matéria com o mínimo de esforço e use seu tempo naquilo que lhe convém.

Se acreditar que pode obter conhecimento melhor em outra fonte não acadêmica ou no trabalho de acadêmicos de outros lugares, o faça. A grade curricular não importa – o que importa é sua meta profissional ou de conhecimento a ser adquirido. Não deixe o curso atrapalhar seus estudos.

Em muitos casos você pode obter fora de um curso acadêmico ferramentas desejadas a um custo de oportunidade melhor. Essa chance é simplesmente amplificada caso estejamos falando de um curso de economia.

Incluso no custo de oportunidade de um curso formal, além do custo financeiro, está seu tempo.

Seu tempo pode ser usado tanto no mercado de trabalho quanto na absorção de quaisquer ferramentas que venham ao encontro de sua meta. Fora de um curso acadêmico formal, seu tempo é flexível, assim como sua curva de aprendizado. Leve isso em conta.

 5. A Educação Formal Atual É Obsoleta – Certifique-se

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A educação formal atual é uma tecnologia completamente obsoleta: padronização excessiva e desnecessária e economias de escala ridículas.

Por mais que todos os cursos liberem os alunos para escolher certa quantia de matérias eletivas, as mesmas são minoritárias na grade. Para piorar, há uma série de matérias obrigatórias que devem ser cumpridas numa ordem predeterminada, como se o foco ou a curva de aprendizado de todos os alunos fosse a mesma.

Com a internet, a aula-palestra que atende 50 pessoas, pode atender milhões. Não são necessárias milhões de bolsas do PROUNI, 10% do PIB ou cotas em vestibulares para garantir acesso ao conhecimento. De início, bastariam filmar as aulas acadêmicas e escanear os livros, disponibilizando ambos em domínio público.

A questão é: como garantir que o conhecimento livremente buscado por um indivíduo é de fato absorvido e pode ser transmitido/utilizado de forma útil?

O mercado já começa, mesmo que timidamente, sair da cultura do diploma acadêmico para o modelo de certificações.

O mercado financeiro é o principal exemplo disso. A principal certificação internacional do setor, o CFA©, é um programa generalista de estudos sobre finanças que envolve três provas eliminatórias e a adoção de um código de ética para a obtenção da certificação. No mercado financeiro nacional, órgãos como ANBIMA, ANCORD e APIMEC possuem programas de certificação.

Há ainda outras certificações internacionais sobre outros temas – gestão de riscos financeiros (FRM), gestão de projetos (PMP) e investimentos alternativos (CAIA), para os interessados em especialização.

Ao interessado nesses programas basta possuir um diploma (qualquer) e trabalhar na área para obter a certificação. Como cumprir o programa cabe somente ao indivíduo (sozinho, via cursos presenciais, palestras online, etc.).

A exigência de diploma acadêmico talvez seja o único erro, ainda fruto da cultura do diploma. Mas é de se acreditar que o sistema educacional cada vez menos dependerá da academia – e quanto antes o aspirante a economista perceber essa tendência, melhor se sairá.

6. Você Vai Aprender Muito Mais No Mercado Do Que Na Faculdade

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Um problema que muito afeta os estudantes de humanas é a falta de aplicação prática das ferramentas mostradas dentro das faculdades.

Quanto antes o aspirante a economista se inserir no mercado de trabalho, mais rápido poderá tomar contato com as reais demandas de mercado e consequentemente ajustar sua meta profissional e que ferramentas aprender.

Outros benefícios incluem prática na gerência e controle de atividades e rede de contatos profissionais, algo bem menos explorado na academia. Também ajudará a afastar do mundo corporativo aqueles com vocação acadêmica.

Se não achar o que quer, ao menos achará o que não quer. Evitará perdas.

7. Que Fazer Então?

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Infelizmente, no Brasil atual a cultura do diploma ainda é muito forte, e uma decisão de ignora-lo pode ser um tanto quanto ousada e a frente de seu tempo. Há ainda a restrição de diploma em concursos públicos com salários mais atrativos.

Exceto em setores mais novos, como TI, as empresas ainda tem restrições em contratar e promover profissionais que abdicam de um diploma acadêmico em função de métodos alternativos de aprendizado – mesmo que isso possa ser melhor do ponto de vista da própria empresa!. O diploma ainda é uma espécie de cartão de visitas que a empresa utiliza em sua relação com mercado, especialmente nos cargos mais seniores.

A decisão a ser tomada, portanto, depende dos interesses particulares do aspirante.

A teoria econômica pura pode ser consultada em todos os seus subtópicos independentemente de se cursar um curso de economia.

Por exemplo, instituições como o Mises Institute e o Instituto Mises Brasil oferecem gratuitamente todo o conhecimento da Escola Austríaca – seus ensinamentos sobre teoria monetária e ciclos econômicos são um must para todo profissional de mercado, especialmente os do mercado financeiro.

O Liberty Fund lhe garante acesso às obras clássicas, como Smith, Bastiat, e alguns pesos pesados da Teoria da Escolha Pública, esta necessária para entender a racionalidade econômica em meio aos incentivos gerados pelos governos.

Caso você tenha pensado em cursar economia para seguir no mundo corporativo tradicional, um curso de administração de empresas pode ser uma melhor opção. Sua natureza mais generalista pode deixar mais tempo livre ao aluno para que o mesmo se dedique ao mercado de trabalho, certificações e estudos paralelos. Também abordará mais questões práticas e terá menos doutrinação do que o curso de economia.

Caso se deseje ir para o mercado financeiro, uma boa opção pode ser um curso de estatística. O ferramental matemático lhe será útil, bem como as ferramentas em TI que podem ser dominadas ao longo do curso (programação em banco de dados, softwares estatísticos e Excel). O downside está na necessidade de complementar essa formação com conhecimento em finanças e teoria econômica, talvez num tempo livre menor.

O que foi dito para o curso de estatística tem muitos paralelos com um curso de engenharia. A principal vantagem prática do engenheiro é tanto ser bem aceito no mundo corporativo no lugar de um administrador ou economista quanto atuar nas áreas técnicas de engenharia. Uma opção interessante para os indecisos.

Outra solução mais interessante que economia pode ser ciências contábeis – sua vantagem é o maior tempo livre que o curso pode oferecer (quando comparado a cursos quantitativos), bem como a boa aplicabilidade de suas ferramentas no mercado.

Ainda sim, caso queira se aventurar num curso de economia (sem ter a intenção de ser acadêmico), a melhor dica é: refletir sobre o que você está procurando para seu futuro e customizar ao máximo sua formação.