7 parentes de políticos que resolveram curtir um luxo com o seu dinheiro

Imagine por um segundo que você tenha de responder a uma pergunta simples: qual o emprego dos seus sonhos? É possível que mil e uma respostas passem pela sua cabeça, certamente – de sonhos de infância, aspirações profissionais, ou até mesmo aquela profissão que lhe pagaria o suficiente pra ter outras coisas que lhe dão prazer. Se a resposta não parece tão simples, porém, posso lhe dar uma dica. Confira a descrição do emprego abaixo e em seguida tente responder novamente a pergunta.

Do emprego:

Requisitos: Saber escrever o próprio nome. Carisma não é obrigatório, mas conta pontos.

Benefícios: Uma vez selecionado, você contará com um salário razoável, suficiente para lhe colocar entre o 1% mais rico da população brasileira. Terá entre 14 e 18 salários por ano, dependendo do Estado em que você for contratado. Poderá ajudar diversos amigos com empregos ou outros favores. Custos com alimentação, moradia e transporte, mesmo fora do trabalho serão todos bancados pela empresa – e de quebra, os benefícios são todos estendidos à sua família. Se você nem começou e já está pensando em férias, não se preocupe. Serão 55 dias por ano.

Parece uma boa ideia? Para cerca de 800 mil pessoas nos últimos 3 anos, mais do que isso. Para os pouco menos de 70 mil selecionados na tal empresa chamada Brasil, para o cargo de político, melhor ainda.

Tamanhos privilégios concedidos à classe política brasileira não são exatamente uma novidade por aqui. Durante décadas o Congresso gastou, entre outras coisas, o equivalente a R$ 63 milhões por ano pagando o chamado auxílio-paletó, ou dois salários a mais para cada parlamentar com a justificativa de que ele deveria vestir-se adequadamente para o ambiente da casa.

Sob pressão popular, alguns privilégios já não têm mais vez, como é o caso do próprio auxílio-paletó extinto em 2012, ou da redução do recesso parlamentar de 90 para 55 dias, durante o escândalo do Mensalão. Nada disso, no entanto, resiste a uma lógica comum por aqui: confundir o público com o privado, ou simplesmente tratar o luxo como essencial.

Em 2015, por exemplo, após cumprir agenda oficial, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, cujo estado paga há mais de um ano os salários de seus servidores com 20 dias de atraso e implementou um aumento de impostos no início de 2016, julgou conveniente alugar por R$ 13 mil um helicóptero para ir a uma festa de aniversário de um vereador. A justificativa? A viagem de carro demoraria pouco mais de uma hora, enquanto de helicóptero, alguns minutos.

Abaixo separamos 7 exemplos que mostram como esta moda entre distinguir o público e o privado, ou simplesmente respeitar o dinheiro dos pagadores de impostos, ainda está longe de pegar por aqui.

1) A ex-primeira dama do Rio de Janeiro que usou o helicóptero oficial do Estado para transportar do próprio cachorro de estimação ao cabeleireiro.

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Residindo atualmente no presídio feminino de Bangu, a ex-primeira dama do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo, já havia ocupado as manchetes de jornais de todo o país muito antes dos luxos bancados por empreiteiras em um esquema que terminou por indicia-la junto ao marido por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, se tornarem alvo de investigação do Ministério Público Federal.

Ainda em 2013, os finais de semana da família Cabral tornaram-se um símbolo da crise que começava a ser sentida graças aos protestos de rua que o governador sofria. O motivo? Um dos helicópteros adquiridos pelo governo do estado em 2011, ao custo de US$ 9 milhões, ou pouco mais de R$ 15 milhões em valores da época, servia quase que exclusivamente para garantir o final de semana na praia da família do governador.

Manter a aeronave, uma das sete da frota oficial, custa R$ 3,8 milhões por ano ao governo estadual, uma vez que a hora de voo saía em média R$ 6,7 mil para os contribuintes cariocas.

Segundo apuraram reportagens, o helicóptero cumpria rigorosamente uma rotina de uma viagem na sexta-feira para transportar a primeira-dama, babás, os filhos e o cachorro da família, e outra no sábado para levar o governador. No domingo, retornava para o Rio de Janeiro em duas viagens, na primeira levando o governador e a família, e na segunda, as babás.

Em outras ocasiões, os helicópteros já foram utilizados para transportar amigos dos filhos, pranchas de surf, cabeleireiro, médicos. Numa determinada ocasião, uma das babás chegou a voltar ao Rio de Janeiro para buscar um vestido que a primeira-dama havia esquecido, segundo relatos de um piloto.

O Ministério Público do Rio de Janeiro arquivou o inquérito sobre o uso da aeronave para fins particulares no início de 2014.

Contando com três aeronaves, a Polícia Civil do Rio de Janeiro tem hoje à disposição apenas um veículo operacional.

2) O governador que decidiu levar a sogra de carona para a Europa.

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Viagens oficiais costumam fazer parte da rotina de qualquer governador. Participar de feiras, visitar empresas, governos de outros estados ou províncias em diversos países, tudo sob o pretexto de atrair investimentos ou ampliar as oportunidades aos empresários do seu estado de origem. Em seu segundo ano de governo (dos oito em que esteve à frente do governo cearense), Cid Gomes decidiu inovar na composição da comitiva oficial e além de assessores, levou a mulher e a sogra para a Europa.

Realizada durante o Carnaval, a viagem saiu a um custo de R$ 388 mil, com o fretamento da aeronave. No roteiro da viagem, hospedagens em hotéis de luxo na estadia em países como Escócia, Irlanda e Alemanha. Em um deles, o hotel Rocco Forte Balmoral, a diária chega a custar R$ 35 mil. Na mesma ocasião, o governador e seu assessor receberam ainda R$ 13,8 mil em diárias.

Para o então líder do governo na Assembléia, no entanto, o ato não possui qualquer irregularidade, uma vez que a sogra do governador, segundo ele, contribui para o Estado.

Após a polêmica, o governador pediu desculpas. Nenhuma declaração sobre o fato de o ato ferir o princípio da impessoalidade do gestor público, porém, foi dada.

Na época, o Jornal da Globo fez um levantamento mostrando detalhes da viagem e seus custos.

3) O governador que decidiu utilizar o avião oficial para levar um funkeiro na festa de aniversário da esposa.

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Atual deputada federal, a ex-primeira dama de Roraima, Shéridan Oliveira, recebeu do marido um mimo de aniversário, em 2010. Para agradar a esposa, o então governador José de Anchieta Junior (PSDB), decidiu surpreende-la em sua festa de aniversário, convidando para a ocasião o funkeiro carioca Mc Sapão.

Segundo apurou o Ministério Público, por ordem de José de Anchieta Junior, o então secretário da Casa Militar autorizou a aeronave oficial do governo a decolar de Boa Vista às 12:30 do dia 11 de abril de 2010, com direção ao Rio de Janeiro, tendo retornado na mesma data para o estado, às 21:11.

Em 2016, após denúncia do MP-RR, os três envolvidos acabaram tendo bloqueados o valor do custo da viagem, além das horas de voo do piloto e co-piloto, equivalentes a R$ 40 mil.

4) A primeira-dama de São Paulo, Lu Alckmin, que utilizou aviões oficiais do governo mais vezes do que todos os secretários juntos.

A esposa do governador de São Paulo, Lu Alckmin, durante jantar oferecido pelo presidente do LIDE (Grupo de Lideres Empresariais), João Doria Jr., no Jardim Europa, região sul de São Paulo, SP. (São Paulo, SP, 15.09.2014. Foto de Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Folhapress)

Ao contrário de outros estados como Minas Gerais, São Paulo desconhece qualquer norma que regulamente o uso da sua frota de aeronaves oficiais. Ainda assim, elas existem e custam caro ao governo – tão caro que em meio aos protestos de 2013, o governador decidiu por vender uma delas para gerar uma economia anual de R$ 4,5 milhões aos cofres públicos. Decidir quem pode utilizar estas aeronaves é hoje prerrogativa da Casa Militar.

Sem ter regra que fundamente o uso, a Casa Militar acaba por autorizar a utilização ao governador, sua esposa e os secretários, caso estejam a serviço do Estado.

Em outras oportunidades, o governo pode também autorizar o uso das aeronaves por pessoas alheias ao próprio governo, mas que representem, segundo o governador, parte do interesse público paulista. Foi em uma destas oportunidades que os paulistas acabaram bancando uma viagem do senador Aécio Neves, outra do ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, além de outras 34 nos últimos anos.

Entre os membros do governo, porém, o recorde de viagens nem de longe fica com qualquer um dos secretários, que juntos, realizaram 76 voos. Fica com a primeira-dama, Lu Alckmin, que viajou 132 vezes. Para o governo, o uso é justificado, uma vez que a primeira-dama presta serviço ao governo como presidente do Fundo Social de Solidariedade de São Paulo, um cargo de interesse social e sem remuneração.

5) A folga de ano novo do governador de Minas e seu filho.

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A denúncia de que o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), teria utilizado o helicóptero do governo para ir buscar seu filho após uma suposta ressaca de ano novo, correu as redes sociais. No vídeo, divulgado pelo deputado Sargento Rodrigues (PDT), aparecem Pimentel e seu filho que, como confirmou o próprio governador posteriormente, não aparentava estar muito bem.

Para Pimentel, no entanto, o ato não possui nada de irregular, uma vez que o uso do helicóptero pelo governador para qualquer fim é garantido por um decreto assinado em 2005 por Aécio Neves.

Assim como no caso gaúcho, Minas Gerais também enfrenta parcelamento de salários e problemas para honrar compromissos. Ainda assim, para Pimentel, estando dentro da lei, a folga de ano novo custeada com dinheiro público seria legal, o que supostamente encerra a questão.

6) O fim de semana em um hotel de luxo do filho governador do Piauí bancados pelo governo estadual.

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Segundo estado mais pobre do país, o Piauí descobriu recentemente que o final de semana prolongado de um dos filhos do governador Wellington Dias, sua esposa e amigos, ainda em junho de 2015, não teve exatamente os propósitos alegados até então.

O resultado da descoberta, publicada pelo portal AZ, foi um gasto de aproximadamente R$ 24 mil, incluindo R$ 10,8 mil com hospedagem, sem qualquer justificativa pública, tudo bancada pelo governo estadual.

Apesar de supostamente cumprir agenda oficial, o jatinho que transportou o filho do governador não possui em seu plano de voo nenhuma especificação sobre a presença do governador ou sua esposa, também secretária de Educação. Nem mesmo a agenda oficial do governador inclui qualquer compromisso na cidade de Cajueiro da Praia, uma das quatro cidades litorâneas do Piauí.

O valor gasto foi confirmado pelo governo, que apresentou as notas fiscais e reiterou o caráter oficial do final de semana na praia.

7) A filha da ex-presidente que tem direito a carro com motorista e tanque cheio.

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Manter os quatro ex-presidentes da república custa ao Brasil nada menos do que R$ 5 milhões por ano – isto por que além de dois veículos oficiais constantemente renovados, os ex-presidentes Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma, têm à sua disposição quatro seguranças, dois assessores e gasto de combustível ilimitado.

Segundo estimou O Globo, graças a este benefício, o ex-presidente Lula teria percorrido em apenas dois meses nada menos do que 14,284 Km, ao custo de R$ 6.916,74 aos cofres públicos.

Em Porto Alegre, onde Dilma reside, no entanto, os veículos a que a ex-presidente tem direito, cumprem uma rotina um pouco distinta – e não necessariamente servindo aos interesses públicos na figura da ex-presidente.

Buscar o neto de Dilma no colégio, comprar pão, ir ao cabeleireiro ou ao pet shop são algumas das atividades as quais os veículos têm sido destinados. Em nenhuma delas, porém, a ocupante é Dilma Rousseff, mas sim sua filha, Paula.

Segundo apurou a revista IstoÉ, o uso de carros oficiais por parte de Paula Rousseff ocorre há pelo menos cinco anos. São ao todo oito veículos, que consumiram, segundo a revista, R$ 13,8 mil em combustível apenas em junho de 2016, já com a ex-presidente afastada.

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