Este vídeo irá mostrar como os cubanos acessam a Netflix (e sem precisar de internet para isso)

Você provavelmente viu essa notícia em algum grande veículo de informação no início do ano: agora finalmente é possível assinar Netflix em Cuba. O preço da brincadeira? U$7,99. Uma verdadeira bagatela… se você não for um cidadão cubano. Assinar o serviço de streaming mais popular do mundo custa 40% do salário médio de um cubano. Com o mesmo valor é possível ir quase 80 vezes ao cinema no país. Mas isso ainda não retrata todo problema.

Em 2013, segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão que avalia conexões de rede ao redor do mundo, apenas 3,4% das famílias cubanas possuíam acesso à internet. Entretanto, desde julho do ano passado, as autoridades da ilha caribenha vêm tentando aumentar a conectividade no país, lar de mais de 11 milhões de pessoas, e para consegui-lo foram abertos mais de 100 pontos de acesso pelo país. Hoje acredita-se que 5% da população tenha acesso à internet, o número mais baixo do continente.

Contudo, 5 megabytes em Cuba – o tamanho médio de uma música – custam quase 25% do ganho médio mensal no país. O preço de um dólar por megabyte, proibitivamente caro, é fora da realidade do cidadão comum cujo salário gira em torno de US$ 20. Mas se engana quem pensa que, apesar de todas essas limitações, a população cubana não tenha acesso ao Netflix – ou a serviços como o Spotify. Isso é possível de uma forma alternativa. E sem internet.

Como? Através de um negócio chamado mercado negro. Quando os governos buscam combater os mercados através de legislações, eles normalmente surgem em economias clandestinas. Hoje, boa parte dos acessos que a população cubana tem aos seriados e filmes americanos, vem através de um grandioso tráfico de dados (com incentivos econômicos muito parecidos ao tráfico de armas ou de drogas ao redor do mundo). É um sistema grandioso, com inúmeras ramificações, que busca driblar a burocracia oficial para fornecer entretenimento a milhões de pessoas. Ficou curioso pra saber como ele funciona? Tire sete minutos do seu dia e dê o play no vídeo abaixo. Chegou a hora de outra revolução ser televisionada.