Tio Patinhas explica o que é inflação para o Opera Mundi

Memória inflacionária é daqueles termos econômicos cujo sentimento pode ser facilmente partilhado por todos, mesmo os que ignoram as teorias. Qualquer brasileiro com mais de 30 anos saberia apontar os efeitos de uma hiperinflação na ponta da língua. Década perdida, perda do poder de compra, concentração de renda, desestímulo à atividade econômica e lucros astronômicos dos sistema financeiro.

Colocando no lápis, nossa hiperinflação, vivenciada ao longo da década de 80 e início dos anos 90, representou uma queda no salário mínimo real de R$ 740 para R$ 270 entre o início dos anos 80 e o auge da hiperinflação em 1992. Pouco antes do Plano Real, os bancos chegaram a lucrar 2,11% do PIB apenas com a inflação, o que, somado aos 2,69% de imposto inflacionário (ganhos do governo), levaram a perdas de 5,2% do PIB apenas com o rentismo propiciado pela inflação.

O fato de inúmeros países que se rendem à tentação de imprimir moeda para resgatar suas economias terminarem em um processo de hiperinflação, não parece intimidar todos os economistas. Assim como os defensores da homeopatia, aqueles que propagam a ideia de que é possível enriquecer ampliando a quantidade de moeda nas mãos da população, existem, ainda que raros e tímidos. Descobrir a fórmula para a riqueza advinda do aumento do consumo é para muitos o santo graal da economia. Não parece difícil entender a razão. Quem não gostaria de ficar rico gastando? A ideia, porém, é tão utópica – e descabida – quanto a de emagrecer comendo.

Com o intuito de tornar crível tal ideia e vender a ilusão como desculpa plausível à austeridade, o Opera Mundi, ligado ao UOL, reuniu um time de ilustres desconhecidos para defender esta tese. Com base em títulos e outras carteiradas, a página buscou vender a ideia como sendo digna de crédito.

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Reportagem da Opera Mundi

Como que para disfarçar as bizarrices econômicas contidas no artigo – como a esdrúxula comparação entre a soma do valor de derivativos no mundo e o déficit fiscal brasileiro – a página complementa a ideia por meio de um gráfico, que supostamente mostra como os governos escaparam do endividamento por meio de impressão de moeda. Em termos mais claros, se os governos decidiram livrar-se de dívidas por meio de impostos ou impressão de moeda, pouco importa – na prática significa apenas que parte da riqueza da população foi transferida ao governo por meio de “impostos inflacionários”, um imposto invisível que não precisa de consentimento do povo ou do Congresso para ser cobrado.

Para agradar o ego dos saudosistas, trazemos abaixo um ilustre exemplo de como os desenhos de antigamente eram mais efetivos em promover, além de entretenimento, alguma lição de moral. Você provavelmente assistiu o Pato Donald e seus sobrinhos quando tinha seus 9 anos de idade, mais ou menos na mesma época em que se questionou por que não imprimir dinheiro para resolver os problemas do mundo. Se você não teve a oportunidade de assistir este desenho naquela época e ainda alimenta essa estúpida ideia, essa é hora. Em apenas sete minutos você terá acesso a tudo que precisa saber para não ser um desses “economistas” levados a sério pelo Opera Mundi.