Você não vai acreditar quanto tempo é preciso trabalhar para comprar um carro na Venezuela

Se você acha os veículos brasileiros caros, espere até descobrir quanto custa um modelo popular na Venezuela.

Na última semana, a ONG venezuelana Unión Empresarial del Comercio y los Servicios del Estado Zulia (UCEZ) divulgou uma pesquisa que mede o poder de compra do salário venezuelano em relação a outros países da América Latina: Chile, Peru, Argentina e Colômbia.

Primeiro, foram coletadas amostras dos preços de 4 produtos: um calçado da marca RS21, um iPhone 6, um Chevrolet Optra 2013 e um apartamento simples nos países citados. Os preços foram então comparados com os das lojas venezuelanas e divididos em relação ao salário mínimo de cada país.

Os resultados foram estarrecedores.

Enquanto nos demais países analisados, menos de 35% do salário mínimo é necessário para comprar um calçado, na Venezuela somente 7,4 salários mínimos dão conta do produto.

O caso do carro é o mais chocante: um Chevrolet Optra 2013, equivalente ao modelo Cobalt no Brasil, não sai por menos de 49 anos e 10 meses de trabalho na Venezuela. No Chile, por exemplo, 2 anos de salário mínimo são necessários para comprar o veículo. Na Colômbia, segundo país mais caro, somente 3 anos e 3 meses.

O iPhone 6, que pode ser comprado com 2 ou 3 meses de trabalho lá fora, custa o mesmo que 73 meses de salário mínimo na Venezuela, ou seja, mais de 6 anos de trabalho – até lá, a Apple já estará na 12ª geração do aparelho.

Um apartamento simples, de 60 a 80 metros quadrados, também se tornou um item de luxo na Venezuela: custa o equivalente a 166 anos de trabalho. Nos outros países analisados, um apartamento similar pode ser comprado com algo entre 20 e 25 anos de trabalho ganhando o salário mínimo.

Numa coletiva de imprensa, o presidente da UCEZ destacou que o poder de compra cada vez menor é um empecilho para as empresas que atuam no país.

“Quanto menor o poder de compra dos venezuelanos, menor será a capacidade das empresas de vender seus produtos e perder essa capacidade as condena a fechar as portas ou quebrar”, disse.

Segundo dados coletados pela ONG, o país perdeu 450 mil empresas nos últimos 10 anos, enquanto a população cresceu 50% no período.