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12 exemplos que provam que o brasileiro é o povo mais otário (ou o mais rico) do mundo

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Há alguns anos, o consumo, coração da economia americana, tem sido palco de uma das guerras mais violentas de que se tem notícia. Uma guerra travada não com bombas e invasões, mas numa luta feroz por preços cada vez menores entre dois gigantes do varejo: Amazon e Walmart. O resultado? Até aqui, ao menos 8 mil lojas físicas já fecharam no primeiro semestre, mais do que na recessão de 2008, e a economia americana vive sua maior deflação de preços em mais de um século.

Quando o maior varejista online do planeta e o maior varejista de supermercados do mundo se enfrentam em uma guerra de preços baixos, você pode achar que a coisa fica feia apenas para os pequenos comerciantes que não conseguem competir, mas a realidade é ainda mais dura. Desde que começaram a se enfrentar, Amazon e Walmart têm causado verdadeiro pânico nos maiores fornecedores da indústria. Empresas bilionárias como Kraft Heinz, Procter & Gamble e Unilever, responsáveis por boa parte dos produtos que você usa no seu dia a dia, têm sido pressionadas a reduzir seu lucro em favor de preços menores.

Como costuma acontecer nas guerras, cada um conta com sua arma secreta na esperança de sair vitorioso. Para a Amazon, é seu produto Amazon Prime, que garante acesso a conteúdo exclusivo de vídeo, como a premiada série O Homem do Castelo Alto, além de frete grátis para as compras na plataforma. Tudo ao custo final de US$ 99/ano. Com o Prime, é possível receber suas compras em apenas um dia e, em alguns casos, em até uma hora, dependendo do produto. Do lado do Walmart, a aposta está na sua ampla rede de supermercados, que permite criar modelos para que os consumidores retirem os produtos comprados online em minipostos de atendimento nos estacionamentos dos supermercados.

No Brasil, a postura agressiva da Amazon em relação ao comércio online de livros tem gerado preocupação entre as grandes empresas do setor. Recentemente, o senado desengavetou um projeto que prevê fixar o preço de livros por até um ano, eliminando assim a concorrência entre livrarias.

Nada disso chega a ser novidade. É possível encher os dedos de uma mão com os exemplos de casos como os citados acima, que, no Brasil, teriam enorme oposição dos líderes de mercado. Ampla concorrência? Pressionar margens de lucro da indústria por preços menores? Frete grátis? Burlar o monopólio dos correios? Não é difícil imaginar que, por aqui, coisas que parecem banais encontrariam muita resistência.

Casos como este ajudam a explicar porque parecemos inertes diante de alguns preços praticados por aqui, acreditando piamente quando um senador diz que o importante não é você pagar menos, mas garantir o lucro daquela grande rede de livrarias, sabe como é, pelo bem da concorrência.

Abaixo citamos alguns casos de realidades paralelas que convivem dentro do Brasil e o que leva a esse tipo situação:

1. A sua conta de luz: duas vezes mais cara do que no Texas, estado sem nenhuma hidrelétrica.

Poucos países do mundo podem gabar-se de ter uma matriz elétrica tão limpa e eficiente quanto a brasileira. Por aqui, mais de 80% da energia que consumimos tem origem em hidrelétricas, uma realidade bastante distinta da maior parte dos países desenvolvidos, habituados a terem térmicas ou mesmo usinas nucleares entre suas principais fontes energéticas.

O que deveria ser uma das tarifas de energia mais baratas do planeta, porém, passa longe disso e o motivo não é difícil de entender. Difícil é entender o que exatamente você está pagando na sua conta de luz.

Há pelo menos 20 taxas incluídas em cada conta, desde a que serve para manter operando as termelétricas da região Norte (não importando onde você more), até subsídios como o programa Luz Para Todos ou incentivos ao uso de energias renováveis.

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Para a maior parte dos estados, o ICMS, principal imposto estadual, é ainda majorado, ou seja, vai bem além dos usuais 17%, podendo chegar a 27% em locais como Rio Grande do Sul e Bahia. Até poucos meses atrás, você pagava o imposto estadual sobre outros impostos federais como PIS/Cofins (sim, imposto sobre imposto!), decisão que foi considerada ilegal pelo STF.

Para uma conta de 1000Kwh/mês, um americano que viva no Texas paga exatos US$ 95, ou R$ 297, contra R$ 683 de um paulista atendido pela Eletropaulo.

2. A sua conta de internet: pague mais e leve menos.

Realizado pela Netflix em outubro passado, o ranking que avaliou as conexões de internet no serviço de streaming em 41 países coloca o Brasil em uma nada honrosa 33ª posição. Pode parecer estranho diante de tantas ofertas por pacotes de 10 ou 15MB relativamente acessíveis em operadoras tradicionais, mas o ranking revela uma peculiaridade brasileira: por aqui, você nunca leva exatamente o que paga.

Graças a uma determinação da Anatel, a agência nacional de telecomunicações, cada operadora está obrigada a lhe entregar no mínimo 20% do que você contrata e, veja você, é exatamente isso que lhe entregam.

Em um plano de 10MB, que pode custar R$ 49,90, você acaba levando apenas 2MB.

Na ponta do lápis, o brasileiro é o segundo povo que trabalha mais horas para pagar sua internet. Aqui, cerca de 5,01 horas são necessárias para garantir 1MB, contra 0,015 horas trabalhadas para pagar o mesmo megabyte no Japão.

Segundo o economista Samy Dana, responsável pela pesquisa, um dos motivos é o fato de que a cada R$ 100 gastos em internet por aqui, R$ 40 são impostos, contra R$ 5 no Japão.

3. Estes notebooks, cuja única diferença é que o segundo, vendido nos EUA, custa 40% menos.

Há poucos setores tão dinâmicos em questão de preços quanto o de computadores, sejam desktops ou notebooks. O rápido avanço de melhoria em memória RAM ou HDs fez o brasileiro se acostumar com uma queda de preços constante ao longo da última década, algo incomum, mas que beneficiou muito inúmeras famílias que agora puderam se conectar à internet, além de empresas que tiveram saltos em produtividade.

Desde os anos 80, quando criamos por aqui a chamada lei da informática – que proibia importação de equipamentos no intuito de desenvolver uma indústria nacional -, nossa relação com este tipo de equipamento não costuma ser muito amigável, especialmente quando o papo é permitir que produtos estrangeiros entrem no país.

Recentemente, passamos a produzir boa parte dos mesmos modelos vendidos lá fora bem aqui, em solo nacional, ainda que o sonho de uma indústria de marcas próprias tenha naufragado.

No final das contas, um computador como este, modelo Dell Inspiron, ainda sai por até 40% mais caro aqui, ainda que os componentes sejam rigorosamente os mesmos.

4. Um videogame para saudosistas, o Nintendo NES.

Promessa para setembro desde ano, o console NES, da Nintendo, promete reviver o saudosismo de inúmeros adultos em busca de relembrar os jogos clássicos que marcaram sua infância.

Mesmo sem ter sido lançado, as reservas em sites estrangeiros já começaram a bombar. Por lá, é possível comprar um NES por US$ 80. Por aqui, o custo fica em R$ 917 nas Lojas Americanas.

A exemplo do Playstation 4 ou do Xbox, sucessos mundiais de venda, o Brasil encabeçará novamente a lista quando o assunto é preço.

5. Remédios no Brasil: pague 3 e leve 2.

Em termos de prioridade, não tem como discutir que saúde invariavelmente vá encabeçar a lista de preocupações do brasileiro, seja porque temos por aqui o segundo pior sistema de saúde do planeta, ou por motivos ainda mais revoltantes: nenhum país do mundo cobra tantos impostos sobre remédios quanto o Brasil.

Nossa média de impostos chega a 34% do valor final, contra 0% em países como Canadá, Reino Unido e Estados Unidos.

Ao contrário do que pode parecer, isto não é nenhuma novidade para os governantes no nosso país. Propostas para eliminar impostos sobre medicamentos já tramitaram no Senado e foram rejeitadas por alguns membros do Congresso, com argumentos dos mais variados possíveis. Segundo a senadora Gleisi Hoffman, por exemplo, eliminar os impostos sobre esta área significaria causar um dano à arrecadação dos governos estaduais, o que levaria a uma menor capacidade de investir em saúde e educação.

Enquanto nossos digníssimos representantes gastam R$ 6 milhões ao ano com planos de saúde nos principais hospitais do país e vetam programas como o Farmácia Popular, a saga do brasileiro continua. É preciso pagar imposto para sobreviver e, claro, pagar também caso venha a falecer.

6. Estas duas casas que têm rigorosamente o mesmo preço.

Orlando

Sonho de quase todo brasileiro, a casa própria pode se tornar um pesadelo quando o assunto é preço. Por aqui, um imóvel como este em SP, de 40m², no centro da cidade, não sai por menos de R$ 230 mil.

São Paulo

Pelo mesmo valor é possível comprar uma casa em um condomínio fechado em Orlando, Flórida, com piscina, churrasqueira, sauna e tudo o mais que você considere importante para curtir a vida na sua primeira casa.

Escolha difícil: morar a minutos da Disney ou do Ibirapuera. O ideal é que você escolha bem, baseado no seu estilo de vida.

New Jersey
São Paulo

Outras escolhas, como morar na Zona Leste paulista ou em Nova Jersey pelo mesmo valor de R$ 900 mil podem parecer mais fáceis. Afinal, morar ao lado de Nova York deve ser mais estressante que morar à mesma distância do centro da capital paulista. Você já viu a quantidade de pessoas apinhadas na Times Square? Pois é, sossego é tudo.

7. Os carros mais caros do mundo.

Talvez você seja da opinião de que os carros brasileiros são caros demais, o que não é difícil concordar, já que as montadoras por aqui lucram até três vezes mais do que lá fora, enquanto nosso governo cobra até cinco vezes mais impostos (cerca de 9% de margem de lucro e 36% de impostos).

Tentando ser um pouco otimista, você sabia que há inúmeros carros brasileiros cujo fabricante de vidros é a companhia francesa Saint-Gobain, a mesma empresa criada por Luís XIV para produzir os espelhos do Palácio de Versalhes, o mais luxuoso da Europa? Segundo a revista americana Forbes, apenas rodas folheadas a ouro justificam um brasileiro pagar tão caro em um carro. Talvez um vidro produzido com a mesma técnica de Versalhes justifique também.

Se você não acha, tudo bem, pode investir R$ 154 mil em um Ford Fusion, mesmo sabendo que o mesmíssimo veículo custa R$ 102 mil nos Estados Unidos. Ou ainda, R$ 124,9 mil em um Civic Touring 2016, contra R$ 76 mil pelo mesmo carro lá na terra do Tio Sam.

8. Dúvida: fazer um enxoval em Miami ou em SP?

Talvez você nunca tenha considerado esta possibilidade, afinal, ir pra Miami é caro, requer custos com passagem, hotel e tudo o mais, não é? Mas, na prática, o custo pode ser menor do que simplesmente comprá-lo no Brasil.

De um carrinho de bebê como um Maxi Cosi, que custa R$ 1.800 em uma loja americana e R$ 3.500 em uma loja brasileira, ou um bebê conforto, vendido por R$ 796 em Miami, e R$ 2.500 por aqui, ou ainda uma babá eletrônica, de R$ 888 nos EUA, contra R$ 1.799 no Brasil.

Na média, o custo para se fazer um enxoval completo sai até 33,8% mais barato por lá do que aqui.

Não há dúvida que o seu bebê merece o melhor e você merece umas férias em Miami, tudo na faixa.

9. A cesta básica brasileira: a mais cara do Mercosul.

Celeiro do mundo e um dos países com maiores vantagens naturais em relação ao agronegócio, o Brasil não costuma sair bem na foto quando o assunto são os itens básicos da alimentação.

Exceto pela Venezuela, cuja moeda sofre uma imensa desvalorização desde que a inflação e a crise econômica assolaram o país, nenhum país vizinho paga mais caro do que nós por itens como carne, arroz, ovos, azeite e outros que compõem a cesta básica.

Nos saímos melhor, porém, quando o assunto é comparação com a renda. Neste caso, batemos a Bolívia. Nos demais, pagamos mais caro do que uruguaios e argentinos.

10. Perfumes, mais perigosos que armas de fogo.

Que o governo brasileiro não quer nem ouvir falar em armas de fogo não é nenhuma novidade. Taxamos pesado todo tido de arma e dificultamos a compra. Ainda assim, por aqui, armas pagam menos impostos do que perfumes.

Se você está pensando em presentear alguém, é bom preparar o bolso.

Um perfume da Calvin Klein, por exemplo, como CK One, pode ser encontrado por R$ 50 em um site americano de comércio online, contra R$ 299 em lojas brasileiras.

11. Roupas mais caras do mundo

Desenvolvido pela Zara, maior varejista de roupas do mundo, o chamado índice Zara calcula o preço de 14 tipos de roupas em todos os países onde a empresa está presente. Por se tratar de uma companhia cuja produção é essencialmente centralizada, há pouca ou nenhuma variação nas peças em si.

Segundo a companhia, o Brasil ocupa o último lugar da lista em preços. Conhecida pelos preços extremamente baixos ao redor do mundo, a companhia alcançou um status incomum por aqui, onde é tratada como uma marca não popular.

Segundo a companhia, os valores por aqui são em média 21,5% mais caros do que nos Estados Unidos, pois são impactados por custos com mão de obra, além da burocracia.

12. Os brinquedos mais caros do mundo

Nem mesmo as crianças brasileiras conseguem se livrar do famoso custo Brasil. Impostos de importação e ICMS podem deixar os brinquedos por aqui até 352% mais caros. Some tudo ao sentimento de nostalgia que atinge boa parte dos adultos e a chance de você pagar muito por alguma coisa é bastante alta.

Um jogo clássico como Monopoly, o famoso Banco Imobiliário, pode chegar a custar R$ 80 por aqui, contra R$ 17,70 em uma loja americana.

No caso dos brinquedos mais recentes, o melhor exemplo são os fidget spinners – que se tornaram uma febre, chegando a ocupar 15 das 20 posições entre os brinquedos mais vendidos pela Amazon -, que por lá custam US$ 25,99. Por aqui, o preço é bastante parecido, cerca de R$ 29,90 no site das Lojas Americanas, com uma pequena diferença é claro. Enquanto aqui você compra a unidade por este valor, no site da Amazon você leva um pack de 12 unidades.

Com impostos que variam entre 30% e 72%, brinquedos no Brasil definitivamente não são coisa de criança.