6 razões por que Flávio Augusto poderia ser eleito presidente do Brasil

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Flávio Augusto. Você provavelmente já ouviu falar nesse nome ou encarou alguma de suas postagens em alguma rede social nos últimos anos. Flávio é aquele cara do Geração de Valor que vive falando sobre empreendedorismo, arrebatando uma multidão de seguidores. Passou longe dele? Sem problema. Há uma boa chance de você o ter encontrado em alguma página de esportes durante esse tempo. Flávio é dono do Orlando City, aquele time do Kaká que disputa a Major League Soccer – o Brasileirão dos EUA.

Por que ele “poderia ser eleito presidente do Brasil”? Por inúmeras razões. Mas antes que você tome sequência dos próximos parágrafos, um aviso: esse não é um artigo de opinião. A ideia desse texto não é provar que Flávio Augusto é o melhor candidato à disposição para ocupar o cargo máximo do país. O propósito aqui é diferente: discutir suas perspectivas políticas; seu potencial como candidato num cenário muito específico da nossa história republicana. 

Além disso, há um outro detalhe significativo aqui. Nunca vi Flávio Augusto citar, ainda que indiretamente, qualquer projeto político. Flávio não é ligado a nenhum partido e talvez sequer sonhe com uma responsabilidade dessas em suas costas. Esse texto não considera suas motivações pessoais, mas analisa seu potencial como virtual candidato.

Flávio não é apenas um grande homem dos negócios, alguém que soube fazer dinheiro e ser admirado por isso – é alguém também capaz de ensinar relações públicas a qualquer estadista bom de voto nesse país (e eles são cada vez mais escassos). O empresário carioca construiu sua trajetória até aqui de forma tão minuciosa a respeito de sua imagem que espanta não ver seu nome corriqueiramente citado nas rodas em Brasília – e nas notas de jornal – como potencial candidato a qualquer cargo com o mínimo de visibilidade.

Mesmo distante do establishment político, Flávio atende a todos os requisitos para ser um candidato respeitado – inclusive ao nosso posto máximo. E se você ainda tem alguma dúvida disso, precisa dar uma lida nesse texto.

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1. Flávio é um self made man no país com a maior quantidade de empreendedores (e burocratas) por metro quadrado no planeta.

Flávio não vem de família tradicional e teve sua formação distante de qualquer traço de elite. É um da Silva, como Lula. Veio de baixo, da periferia carioca. Passou a maior parte da vida estudando em escola pública. Não cursou em Harvard. Passou longe de Yale. Não tem qualquer título de nobreza ou acadêmico.

Diferente de Lula, no entanto, fugiu da vida pública. Não frequentou sindicatos. Passou longe dos partidos e dos cargos políticos. Decidiu apostar todas as suas fichas num troço pouco comentado nas escolas por onde passou, sem grandes referências para os outros caras da mesma idade que a dele: o empreendedorismo. A ideia era insana: fundar uma escola de idiomas sem falar uma única palavra em inglês, apostando toda grana que (não) tinha – R$20 mil do cheque especial, com juros de 12% ao mês. Uma loucura. O nome da escola? Wise Up (pois é, você já deve ter entendido quão certo deu a jogada). Em 18 anos, sua escola tornou-se uma holding avaliada em cerca de R$ 1 bilhão. Flávio virou bilionário, contrariando todas as estatísticas que tinha pela frente. E sem qualquer vínculo com o governo.

Eis um self made man clássico. Flávio definitivamente não precisa da política para ser alguém na vida. Caso arrisque um dia a empreitada de lutar pelo cargo mais alto do país e obtenha sucesso, poderá até se dar ao luxo de realizar o sonho de qualquer marqueteiro do ramo: abrir mão do próprio salário. Deu certo com Macri. Num país com tamanha desconfiança em seus homens públicos, essa certamente será outra grande cartada na sua carreira.

2. Flávio é um outsider da política.

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Flávio não tem conexão com qualquer partido político. É um outsider. Mas se engana quem pensa que isso é um problema. Pelo contrário. Num tempo em que as instituições políticas caem em descrédito ao redor do mundo e que o público se cansa dos discursos políticos profissionais, não ser um velho cacique com uma longa trajetória na área é quase como estar abençoado por um véu sagrado – o da inimputabilidade. O que isso traz de fato? Não ser condenado pela mais arrebatadora das maldições eleitorais: a rejeição. Sem passado político, Flávio não comunga de qualquer equívoco em gestão pública. Também não tem qualquer histórico de envolvimento em casos de corrupção. E isso diz muita coisa hoje em dia.

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Ao redor do mundo, não por acaso, a aposta na figura do outsider se tornou um artifício tentador para as equipes de campanha. Trump, Sanders (senador de Vermont, o segundo estado menos populoso dos EUA e irrelevante no cenário nacional), Romário, Pablo Iglesias… A lista de figuras que obtiveram (ou estão a caminho de obter) grande apoio eleitoral sem passar por qualquer histórico relevante na política cresce a cada ano – na disputa à prefeitura de São Paulo desse ano, por exemplo, o apresentador José Luiz Datena e o empresário João Doria Jr surgem como nomes de peso sem qualquer passado eleitoral. 

Ser um outsider é preencher necessariamente o papel de bom candidato? A resposta, a julgar os nomes citados acima, você já deve imaginar. Mas essa é uma outra discussão. Há bons e maus candidatos com ou sem qualquer nível de experiência. Num cenário, porém, em que ninguém mais acredita em quem está em campo, ter ficado tanto tempo fora do jogo pode ser uma grande jogada.

3. Flávio atende ao requisito número um do voto: é popular.

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É possível afirmar, sem medo de errar, que fazer dinheiro não é o maior talento de Flávio Augusto. Sua grande aptidão – em grande parte responsável pelo acréscimo de zeros à sua conta bancária nas últimas duas décadas – reside em outro setor: saber se comunicar. Foi pensando nisso que ele criou o Geração de Valor, página que ele mesmo edita diariamente, com a ideia de “promover o empreendedorismo através da construção de uma mentalidade vitoriosa, o “pensar fora da caixinha”, a fim de contrariar as estatísticas e o fluxo natural seguido pela sociedade”.

A página possui quase 3 milhões de seguidores. E se você não faz ideia do que isso representa imagine que o número é maior do que a presidente Dilma possui no Facebook e mais do que o PT e o PSDB têm somados. Tudo isso para falar sobre empreendedorismo.

Com o projeto, Flávio escreveu o livro Geração de Valor, que graças a essas duas características – sua popularidade e seu talento nato para a comunicação – alcançou o topo dos livros mais vendidos do país, com mais de 100 mil exemplares comercializados em apenas um ano de publicação (100% da renda obtida com o livro é destinada a projetos sociais). A empreitada obteve tamanho retorno que um segundo livro foi lançado no final do ano. E a essa altura do texto você já não deve ter mais qualquer dúvida do potencial de sucesso da obra.

4. Flávio atende ao requisito número dois do voto: é admirado.

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Flávio, que é um dos 10 bilionários mais jovens do país, segundo a Forbes, se tornou uma espécie de porta voz para parte da sua geração, identificada com o ideal do empreendedorismo. Não por acaso, o empresário carioca é o líder brasileiro mais admirado pelos mais jovens, segundo uma pesquisa recente realizada pela Cia de Talentos em parceria com a Nextview People, à frente de lideranças como Jorge Paulo Lemann (um dos controladores da AmBev e o homem mais rico do país), Silvio Santos e Abílio Diniz. No ranking que considera também grandes lideranças de outros países – e traz Barack Obama em primeiro lugar – o dono do Orlando City também ganha destaque, na segunda posição, à frente de nomes como Bill Gates e Mark Zuckerberg. A pesquisa contou com a resposta de 67.896 jovens brasileiros com idade entre 17 e 26 anos.

Para 35% dos entrevistados, o líder admirado é aquele que inspira e é visionário, 23% admiram a liderança intelectual (que “estabelece novas formas de pensar as coisas”), 16% a liderança moral (“é um exemplo de como agir”), 15% admiram a chamada liderança colaborativa (“sabe agir junto, constrói grandes equipes”) e 9% a “liderança corajosa” (“aberta a arriscar muito para ganhar muito mais”).

Flávio não possui apenas popularidade. É um líder admirado – e de forma especial por parte do eleitorado mais engajado e formador de opinião. Alcançar tamanha posição, com apenas 44 anos, é atingir algo pouco acessível à esmagadora maioria dos candidatos a qualquer cargo público no Brasil. E isso definitivamente não pode ser ignorado. 

5. Flávio é um grande gestor (e não precisa do João Santana pra fazer a gente acreditar nisso).

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Flávio Augusto é essencialmente tudo aquilo que João Santana, o marqueteiro do Partido dos Trabalhadores, tentou nos vender nos últimos seis anos a respeito de Dilma Rousseff: é um outsider político com um grande passado como gestor. Diferente da cria de Santana, no entanto, sua fama se justifica (e o empresário carioca não possui qualquer histórico de falência com lojinhas de 1,99). 

Já em 1995, logo nos primórdios da sua escola de idiomas, com a primeira unidade da Wise Up em um andar de um prédio no centro do Rio de Janeiro, Flávio conseguiu mil alunos. Oito meses depois, abriu uma segunda escola em São Paulo, na Avenida Paulista, onde conquistou outros 2,5 mil alunos – foi graças a essa unidade, com um faturamento de meio milhão de reais por mês, que ele financiaria o crescimento do seu negócio (e ele só começou a estudar inglês, de fato, quando a centésima unidade foi inaugurada). Em pouco tempo, Flávio daria corda a um poderoso sistema de franquias, capaz de render 500 unidades a Wise Up em países como Brasil, Argentina, México, Colômbia, Estados Unidos e China, e gerar um crescimento de 50% ao ano.

Em 2013, no auge, Flávio decidiu vender sua cria para um dos maiores grupos de educação do país pela bagatela de R$ 877 milhões. Com o dinheiro, comprou o Orlando City (que segundo ele deverá valer US$ 1 bilhão até 2019).

Achou que depois disso tudo ele desistiria de apostar no setor de educação? Apostou errado. Há poucos meses, Flávio recomprou sua escola de idiomas. O valor: R$ 398 milhões – menos da metade do que ele havia vendido dois anos antes.

6. Flávio tem, afinal, boas ideias.

Flávio não é apenas um cara que tem dinheiro ensinando milhões de pessoas a como ganhar dinheiro – e sendo admirado por isso. Ele atende ao requisito mais importante (ou, ao menos, que deveria ser o mais importante) no caminho que alguém precisa trilhar para alcançar o cargo mais alto do país: ter boas ideias.

O empresário carioca é um questionador e usa constantemente seu espaço para discutir política – de forma especial, a respeito do excessivo papel desempenhado pelo governo na vida das pessoas. Graças a isso, é frequentemente questionado sobre sua posição ideológica. Ele diz não ter rótulos, mas dá uma dica preciosa daquele que é o seu grande ideal.

“Muita gente às vezes me pergunta na página: Flávio, você é liberal? Eu não respondo. Eu não tenho rótulo. Eu quero que as pessoas se apaixonem pelas ideias. Quero que as pessoas se apaixonem pelas ideias da liberdade. Quando a gente tiver um país com pessoas apaixonadas pela liberdade, a gente não precisa de rótulo. A coisa vai acontecer e qualquer proposta diferente da liberdade já será rechaçada.”

O dono do Orlando City acredita que o país precisa urgentemente realizar reformas que devolvam segurança às pessoas, incentivem o empreendedorismo e diminuam o inchaço estatal – com cortes na burocracia e nos impostos, e responsabilidade na gestão pública. Seu discurso, apesar de cada vez mais conquistar viabilidade eleitoral graças aos constantes descasos em Brasília, é pouco citado pelos grandes partidos nacionais – que, não por acaso, amargam em rejeição. Mas isso é inevitável a curto prazo no jogo partidário. A discussão aqui é outra.

Flávio é jovem, conquistou seu primeiro bilhão sem qualquer atalho, é popular, um líder admirado pelos mais jovens e um outsider político com boas ideias. Qual partido terá o feeling de enxergar sua trajetória, sua reputação e seu potencial renovador como condições para ocupar o Planalto? Quem terá coragem de assumir seu nome como um projeto viável para o país? Só o tempo dirá.

Flávio Augusto caminha a passos largos para se tornar um nome que não mais poderá ser ignorado.