7 personagens negros da história do Brasil mais importantes que Zumbi (e que você deveria conhecer)

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* com colaboração de André Spigariol e Luan Sperandio

Sim, Zumbi dos Palmares possuía escravos. Você já deve estar cansado de ouvir repetirem isso todo dia 20 de novembro – que desde 2003 marca a celebração da Consciência Negra, por ocasião da morte de Zumbi nesta data – como se fosse uma grande novidade. Ao contrário de desmerecer o dia, a afirmação apenas ressalta algo ainda mais relevante: a complexidade da nossa história e a importância de conhecê-la a fundo.

Esse conhecimento não demanda medidas negacionistas ou o transporte de personagens de outros tempos para os valores atuais, onde a liberdade individual tornou-se um consenso. Como muitos outros de seu tempo, Zumbi lucrou de certa maneira com a escravidão, engajando-se em ampliar seu quilombo por meio da captura de negros em fazendas da região e sedimentando seu poder, que mais tarde o tornaria figura relevante em nossa história.

Sem reproduzir o comportamento daqueles que lucravam com a escravidão – como Zumbi e os senhores de engenho ou reis europeus e africanos -, não foram poucos os negros ao longo da história que destacaram-se por exercer outro papel: a defesa dos direitos humanos, não apenas para seu grupo, mas para todo e qualquer negro brasileiro. Entre esses direitos, está a liberdade.

Conhecer ou relembrar personagens como estes, muitos deles esquecidos, é fundamental para a formação do caráter nacional, dando ao negro brasileiro um papel longe do tradicional sujeito oculto e passivo na história do país, mas de figura atuante e decisiva nos rumos da nação.

De presidentes a escritores consagrados e protagonistas na formação cultural brasileira, não resta dúvida que uma mera burocracia como feriados municipais é incapaz de abarcar com precisão o papel desempenhado por determinadas figuras ao longo da formação histórica brasileira, já que feriados e datas festivas costumam ter resultados bem distintos do previsto, como é comum acontecer com inúmeras leis. De fato, muitas vezes acabam revelando mais as pretensões dos legisladores do que o caráter simbólico da data.

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1. Nilo Peçanha, o primeiro presidente negro do Brasil.

Em junho deste ano, diante de intelectuais e artistas, Joaquim Barbosa questionou se a sociedade brasileira estaria pronta para um presidente da república de pele negra. A pergunta até tem sua relevância para entender a atual situação social e política do país, mas contém um grave equívoco histórico. Existe relativo consenso na historiografia brasileira de que, na verdade, o Brasil já teve um negro ocupando a Presidência da República: o fluminense Nilo Procópio Peçanha, que governou o país entre junho de 1909 e novembro de 1910.

Filho de Sebastião de Sousa Peçanha (padeiro) e Joaquina Anália de Sá Freire (descendente de uma família politicamente importante no norte do Rio de Janeiro), Nilo Peçanha nasceu em 2 de outubro de 1867, em Campos dos Goytacazes. Teve infância humilde, vivida na periferia de sua cidade natal. Após completar seus estudos na capital do estado, no Colégio Pedro II, deixou brevemente o Rio de Janeiro para formar-se na Faculdade de Direito de Recife. Ao retornar, foi advogado e jornalista, militando pela abolição da escravatura e pela república. Após o golpe republicano, foi eleito deputado da Assembleia Nacional Constituinte, pelo Partido Republicano, em 1890. Foi deputado estadual pelo RJ entre 1891 e 1903.

Elegeu-se ainda presidente do Estado do Rio de Janeiro em 1903 (cargo equivalente ao de governador de estado nos dias de hoje), recebendo boa avaliação de sua gestão. Antes de concluir o mandato no Executivo fluminense, venceu as eleições para a Vice-presidência da República na chapa de Afonso Pena, em 1906. Com a morte do mandatário, em 1909, assumiu a presidência do país, cargo que ocupou durante 17 meses. Seu governo é conhecido pela criação do primeiro sistema nacional de escolas técnicas, além de ter ficado marcado pela crise na relação entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais.

Ao longo de sua vida pública, foi alvo frequente de ofensas racistas veiculadas pela imprensa local, que o descrevia como “mulato” e atacava sua honra por meio de charges e anedotas racistas. A elite o conhecia como “o mulato do Morro do Coco”. Tamanho preconceito fez com que Nilo buscasse negar constantemente suas origens, recorrendo até ao uso de maquiagens que ocultavam sua negritude em fotografias. Nesse contexto, o jovem deputado conhece e apaixona-se pela aristocrata Anna de Castro Belisário Soares de Sousa, conhecida como Anita, uma bela jovem campista, como descrita por Brígido Tinoco, na biografia “A vida de Nilo Peçanha”:

“A jovem era de pequena estatura, mas elegantíssima e de cativante beleza. A fronte altiva e o andar firme revelavam rara personalidade. Talvez um pouquinho de orgulho. Dera-lhe o pai instrução requintada. Aprendera piano com o famoso professor italiano Carlos Reinolds; sua governanta Augusta Jaeger, ilustre mestra de Hamburgo, ensinara-lhe alemão e francês e a exercitara na equitação.

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Com tanto pedigree, seria difícil que a família de Anita aceitasse qualquer candidato à sua mão, principalmente um mestiço do Morro do Coco, criado como ele mesmo dizia com pão dormido e paçoca, filho do Sebastião da Padaria. Era mesmo muita ousadia do então jovem deputado federal pelo Estado do Rio de janeiro, pretender qualquer aproximação com moça de tão nobre linhagem.”

Dr. João Belisário Soares de Souza, advogado e pai de Anita, até simpatizava com o jovem político. Mas a união enfrentava severa resistência de D. Ana Rachel Ribeiro de Castro Soares de Souza, mãe da pretendida, que rejeitava qualquer tipo de aproximação dos dois, por preconceito com a origem do rapaz. Após a morte de seu pai e dois anos de namoro, Anita fez as malas e foi morar com sua tia Alice. Por fim, a 6 de dezembro de 1895, celebraram seu legítimo direito de escolha, ao casarem-se na Igreja de São João Batista da Lagoa, no Rio de Janeiro, para o escândalo da aristocracia de Campos. Ficaram juntos até a morte de Nilo, em 1924.

Findo seu mandato no Catete, foi passar uma temporada na Europa, afastando-se da política temporariamente. Ao retornar, em 1912, elegeu-se Senador pelo Rio de Janeiro e, em 1914, foi eleito novamente chefe do executivo fluminense, ficando no cargo até 1917, quando foi nomeado Ministro das Relações Exteriores. Em seus dois mandatos, empenhou-se na recuperação da economia do estado, por investimentos em educação profissionalizante e estímulo aos pequenos produtores rurais.

Em 1922, concorreu à Presidência da República, inaugurando o movimento chamado de Reação Republicana, que agregava forças de estados como RJ, PE, BA e RS, desafiando a tradição das oligarquias rurais de SP e MG. Apesar de obter forte penetração nas áreas urbanas, Peçanha acabou derrotado pelo mineiro Artur Bernardes. Após o pleito, afastou-se definitivamente da política, pouco antes de falecer, em 1924.

2. Ernesto Carneiro Ribeiro, biomédico, professor, linguista e filólogo

O sertanejo é antes de tudo um forte.

Clássico da literatura brasileira, Os sertões, escrito por Euclides da Cunha, é daquelas obras indispensáveis para se formar um autêntico retrato do Brasil. Sua frase mais conhecida, destacada acima, simboliza a luta do homem sertanejo contra as adversidades da natureza, e sua formação histórica.

Que Euclides da Cunha tenha se firmado como um dos nomes mais relevantes de seu tempo, também não restam dúvidas, e assim como inúmeras outras figuras proeminentes da literatura e política nacional, como Rui Barbosa, suas origens remontam a um mesmo nome comum, o do baiano e sertanejo Ernesto Carneiro Ribeiro, médico, professor, linguista e tornado Barão de Vila Nova, graças a seu trabalho em biomedicina.

Responsável por desenvolver a primeira gramática de língua portuguesa a de fato dialogar com os detalhes científicos e corriqueiros da língua falada, o baiano tornou-se uma figura de impacto nacional ao travar com seu ex-aluno, Rui Barbosa, um embate sobre o código civil brasileiro, publicado no início do século XX. Em um espaço de quatro dias, Ernesto Ribeiro revisaria a publicação desenvolvida pelo jurista Clóvis Bevilacqua.

Rui, que na época presidia a comissão do senado responsável pela aprovação do código, faria seu parecer com 560 páginas, em três dias, resumindo a obra como “tosca, indigesta e aleijada”, fato que levaria Ernesto a comprar a briga sobre o projeto. Ao fim, feitas réplicas e tréplicas, o projeto acabaria sendo aprovado, com importantes mudanças e sugestões de Ernesto.

Na Bahia, seu estado natal e onde fundou uma escola com apoio do império, foi responsável por desenvolver um dos primeiros planos nacionais para debelar a miséria na qual se encontrava a educação na província.

3. Cruz e Sousa

Dante negro, como tornou-se conhecido, Cruz e Sousa é um dos inúmeros autores brasileiros a utilizar seu prestígio e articulação na defesa da causa abolicionista. Estudou em alguns dos melhores colégios de sua época, graças ao apoio da família Sousa (de quem adotaria o sobrenome), patrões de seus pais, negros alforriados.

Em sua obra, um marco na história do Simbolismo no Brasil, explicita sua bagagem cultural africana e sua educação europeia. Tendo sido professor e jornalista, Cruz e Sousa chegou a comandar um jornal em Santa Catarina, onde defendia abertamente a abolição da escravatura, o que o levaria a percorrer o país em campanha.

A vida sofrida e a situação de escravo liberto em um país ainda escravagista e racista fizeram da carreira de Cruz e Sousa um marco para desafiar os padrões da época, fato que se refletiu em sua obra, que rompeu o classicismo mantido pelos poetas parnasianos. Como destaca o autor francês Roger Bastide, foi justamente seu caráter único e com foco na razão e no individualismo que lhe permitiu transcender tais padrões e firmar-se como proeminente autor da literatura nacional.

Sua morte prematura não impediu que sua obra tivesse grande impacto, e o eternizasse como um dos símbolos da luta pelas liberdades individuais, da racionalidade e da poesia nacional.

4. Carolina Maria de Jesus

Exatas 15 mil cópias são necessárias, segundo a Câmara Brasileira do Livro para tornar um escritor brasileiro autor de best-seller. Pouco menos de duas semanas foi o tempo necessário para que a neta de escravos e filha de pais analfabetos Carolina Maria de Jesus atingisse o feito com a publicação de seu livro Quarto do Despejo: diários de uma favelada, obra que hoje acumula mais de um milhão de cópias vendidas e publicadas em mais de 14 idiomas.

Tendo se mudado para a favela Canindé, na zona norte da capital de São Paulo em 1937, Carolina passou boa parte da vida batalhando para sustentar seus filhos com o trabalho de catadora de papelão, material que também utilizou para construir sua primeira casa na favela paulista. Ao mesmo tempo, registrava copiosamente seu cotidiano e o da comunidade em que vivia.

Em 1960, descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, um de seus diários tornou-se livro, sendo publicado dois anos depois nos Estados Unidos, sob o título Child of The Dark. Sobre sua obra, a crítica da época descreveria como “direta, nua e crua, porém suave”.

Por descrever o retrato de um pedaço quase invisível do Brasil para muitos, Carolina consagrou sua obra e atraiu a raiva de inúmeros membros da comunidade em que vivia, contrariados ao verem seu cotidiano exposto dessa forma. Agredida física e moralmente pelos vizinhos, terminou por mudar-se dali com os recursos obtidos graças aos direitos autorais.

5. Luiz Gama

Escritor, jornalista, advogado, baiano ilustre ou ninguém menos que o maior abolicionista do Brasil: Luiz Gama. Nascido de mãe negra livre e pai branco em 1830, foi escravizado ilegalmente pelo próprio genitor aos dez anos, vendido para o pagamento de uma dívida de jogo. Foi transportado para o Rio de Janeiro em 1840, ficando com o comerciante Vieira, que o vendeu para o alferes Antonio Pereira Cardoso, de São Paulo, em um lote de mais de 100 escravos.

Como os escravos baianos tinham a fama de “fujões”, o alferes não conseguiu vender Luiz Gama, que acabou sendo utilizado como empregado doméstico na fazenda de Cardoso, em Lorena, no interior do estado. Em 1847, quando Gama tinha 17 anos, o estudante Antônio Rodrigues de Araújo foi recebido e ficou hospedado na fazenda do alferes, travando amizade com o escravo e ensinando-o a ler e escrever.

Com o letramento, Gama percebeu que havia sido escravizado ilegalmente. Fugiu para a cidade de São Paulo em 1848, onde conseguiu sua libertação por via judicial. Tentou frequentar o curso de direito como ouvinte na Faculdade do Largo de São Francisco, mas foi vítima de vil racismo de seus colegas, em grande parte pertencentes à elite escravocrata paulista. Foi então que decidiu estudar a profissão como autodidata e tornou-se rábula (advogado sem diploma), passando a atuar ativamente pela libertação de escravos nos tribunais, tendo conseguido a soltura de mais de 500 cativos. Já reconhecido como advogado e admirado, teve escritório com os professores Dino Bueno e Januário Pinto Ferraz.

Um dos raros intelectuais negros de seu tempo, Luiz Gama é reconhecido também pela sua produção literária abolicionista. Na década de 1860 tornou-se jornalista influente, ligado aos círculos do Partido Liberal. Chegou a fundar seu próprio periódico, “O Radical Paulistano”, onde dividiu espaço com seu amigo e companheiro Rui Barbosa. Sua liderança fez todo o movimento abolicionista de São Paulo orbitar em torno de si. Sua morte, decorrente de diabetes em 1882 (aos 52 anos), gerou imensa comoção na sociedade paulistana.

6. Dragão do Mar, pioneiro na abolição dos escravos

Todos sabem que a abolição da escravatura no Brasil se deu em 1888 com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel. O que poucos sabem, no entanto, é que cinco anos antes a província do Ceará aboliu a escravatura e libertou todos os seus escravos.

Um dos principais responsáveis por isso foi Francisco José do Nascimento, conhecido como Chico da Matilde. Ele foi um jangadeiro de origem pobre, pardo e trabalhador do mar. Com a morte de seu pai, sua mãe o criou com muitas dificuldades, tendo trabalhado desde os oito anos de idade como garoto de recados a bordo de embarcações, a fim de ajudar no sustento da família. Assim, logo conheceu a realidade do tráfico negreiro.

Aos 20 anos ele conseguiu se alfabetizar e tornou-se marinheiro, trabalhando no percurso Maranhão-Ceará. 15 anos depois, em 1874 ele assumiu a posição de prático da Capitania dos Portos.

Sensibilizou-se com a causa pela libertação dos escravos ao participar no Congresso Abolicionista realizado em Maranguape em 26 de maio de 1881. Estimulado pela  Sociedade Cearense Libertadora, ele fechou o Porto de Fortaleza em 30 de agosto daquele ano a fim de impedir o embarque de escravos para outras províncias. A partir daí passou a conduzir sua jangada em direção às embarcações que entrassem no Porto do Mucuripe para comunicar o rompimento do tráfego negreiro no Estado. Chico da Matilde também utilizou sua residência para esconder escravos foragidos. Por liderar a paralisação ele perdeu o cargo de prático, posição que voltou a ocupar apenas em 1889 por ordem de Dom Pedro II.

Suas atitudes foram aclamadas pela imprensa abolicionista nacional e, ao desfilar pelas ruas, recebeu homenagens da multidão e um novo nome: Dragão do Mar. Isso contribuiu para o crescimento da campanha abolicionista, criando-se diversos núcleos abolicionistas em vilas e cidades cearenses. O número de alforrias na província cresceu e em 24 de maio de 1883, Chico estava na sessão da assembleia que libertou os escravos de Fortaleza. Em 25 de março do ano seguinte, todos os escravos da província do Ceará conquistaram, enfim, sua liberdade, sendo a província pioneira na abolição da escravatura.

A abolição, entretanto, não concluiu suas lutas. Em 1902 o “Navegante Negro”, como também era chamado, promoveu uma greve dos trabalhadores de embarcações quando apenas negros foram sorteados para prestar serviços militares, enfrentando o governador Pedro Borges.

Dragão do Mar é um dos maiores símbolos de resistência à escravidão no país. Em 2017 seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.

7. Mãe Menininha do Gantois, símbolo da tolerância religiosa

Lideranças religiosas carismáticas e progressistas costumam ser lembradas por seu impacto na sociedade, além de seus seguidores devotos. Foi o caso de Maria Escolástica da Conceição Nazaré, um nome que correu o mundo. Descendente de escravos, nasceu no final do século XIX e é considerada a mãe de santo mais admirada do país por, ao longo de 64 anos de direção, ter tornado o terreiro de candomblé de Salvador o mais respeitado do Brasil.

O apelido “Menininha” se deu por ser franzina, mas sua coragem e diplomacia eram marcantes. Historiadores argumentam que seu terreiro sobreviveu à perseguição policial aos cultos afros que vigorou no início do século XX, graças às suas habilidades.

Na década de 1930 uma lei de jogos e costumes condicionava a realização de rituais à autorização policial, além de limitar o horário de término dos cultos às 22h, o que contrariava sua tradição religiosa. Mãe Menininha foi uma das principais lideranças de um movimento que acabou por revogar a Lei de Jogos e Costumes.

Uma das formas de combater o preconceito e a intolerância religiosa de Menininha foi tomar atitudes progressistas dentro do candomblé: ela abriu as portas do Gantois a brancos e católicos, algo que não era permitido em muitos terreiros. Assim, passou a ser muito visitado por pessoas de todo o país, adeptas de diferentes religiões. Seu diálogo com outras religiões permitiu convencer bispos da Bahia a autorizarem a entrada nas igrejas de mulheres vestidas com as roupas tradicionais do candomblé.

Um de seus méritos foi equilibrar sua costumeira receptividade e não permitir a exploração do que considerava sagrado. Como todas as ialorixás do seu tempo, ela fazia questão de ganhar o próprio sustento comercializando frutas e doces, sendo dona de restaurante e costurando, não cobrando pelos serviços que prestava: definia o seu terreiro como uma “casa de caridade”.

Nas últimas décadas de sua vida, praticamente não saia de sua cama, mas era visitada por todo tipo de gente, inclusive autoridades. Em 1976 ela foi homenageada pela Escola de Samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel com o enredo do carnavalesco Arlindo Rodrigues e interpretação de Elza Soares.