Conversamos com Danilo Gentili sobre sua nova série na tv, Politicamente Incorreto

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Nessa segunda-feira, dia 15, às 8h30 da noite, enquanto os canais abertos estiverem exibindo a propaganda eleitoral obrigatória, o canal por assinatura FX estreará a série Politicamente Incorreto, comédia criada, escrita e estrelada por Danilo Gentili.

Na série, Danilo interpreta o deputado federal Atílio Pereira, um político desonesto que se envolve num escândalo de corrupção, mas que, graças a um mal entendido, sobrevive politicamente e passa a ser visto como um cara honesto. Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência.

A primeira temporada vai ao ar com 8 episódios de meia-hora cada, produzidos pela Clube Filmes, e tem a direção de Fabrício Bittar, que também é coautor da série. No elenco ainda estão José Dumont, Paula Possani, Sergio Menezes, Kiko Vianello, Rominho Braga, Letícia Fagnani, Cláudia Campolina e Chris Couto.

Nessa semana conversamos com Gentili sobre seu mais novo trabalho na televisão.

S1PI-Cartaz1-450x620JOEL PINHEIRO: É uma honra pra gente aqui do Spotniks conversar com Danilo Gentili, que está com um programa novo para ser estreado, o Politicamente Incorreto, Danilo muito obrigado por participar aqui com a gente…

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DANILO GENTILI: Eu que agradeço.

JOEL PINHEIRO: Conta aí, Danilo. Seu programa é a história de um político bastante questionável, desonesto…

DANILO GENTILI: Se você tivesse falado – “é a história de um político” –  já não precisava falar o resto…

JOEL PINHEIRO: Já diz, pois é… É um comentário sobre a situação política brasileira, imagino, mas feito de uma forma indireta?

DANILO GENTILI: Na verdade, obviamente a primeira ideia com isso é fazer entretenimento mesmo. Quando a gente senta e escreve o roteiro a primeira preocupação é: as pessoas que consumirem isso irão se divertir ou não? Porque eu sou comediante. Eu não sou filósofo, não sou colunista de jornal. Mas de pano de fundo, pode se dizer que sim. É uma das matérias primas onde a gente buscou extrair piadas. Principalmente a natureza dúbia do político brasileiro. Eu acho que, na verdade, o personagem central, que é o Atílio Pereira, representa 80% dos políticos que a gente vê hoje. Não é de direita, não é de esquerda. Mas faz todas as concessões que a esquerda quer, ou seja lá se for conveniente ou não. Então ele é esse tipo de gente…

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JOEL PINHEIRO: Que a direita também…

DANILO GENTILI: Que a direita também. Que a direita quer, que a esquerda quer. Ele faz qualquer coisa. Acho que 80% dos políticos hoje ninguém sabe definir o que são. Hoje mesmo a gente o Ron Paul foi no programa [a entrevista foi gravada na última terça-feira; assista a participação do americano Ron Paul no The Noite clicando aqui] e uma das coisas que a gente conversou foi isso. Pô, o Collor, que é o último presidente de direita, considerado de direita no Brasil, o que que ele fez? Foi sequestrar a poupança, que é uma das coisas mais invasivas que podem existir. Em compensação outros de esquerda, como o Fernando Henrique, privatizou coisas. Então é muito confuso as coisas aqui. O personagem principal do Politicamente Incorreto é tão confuso quanto. Ele só sabe que ele quer a vantagem própria. O resto…

JOEL PINHEIRO: Quer o poder né? No fundo é isso.

DANILO GENTILI: Quer o poder.

JOEL PINHEIRO: E dá pra rir da política?

DANILO GENTILI: Ah, com certeza. É a única coisa que dá pra fazer. Aliás, é pra rir. Se levar a sério aí você tá ferrado.

JOEL PINHEIRO: E você prevê repercussões polêmicas, de acordo com a sua carreira? Você mira esse tipo de efeito?

DANILO GENTILI: Não. Mas é inevitável. Qualquer pessoa que não se pautar por uma agenda de correção política acaba indo parar na máquina de moer reputação. O patrulhamento é muito ostensivo. As pessoas estão patrulhando se você está em acordo ou desacordo com a agenda política que eles estão tentando implementar. E se você ousa – “não, eu não quero que nenhuma agenda política me paute, eu quero ser pautado pelo que eu acho, pela minha opinião independente” – isso já é o suficiente pra você ser considerado inimigo deles. Então, por isso talvez possa vir a acontecer. Porque é uma série que visa tirar sarro do universo político, é uma série de comédia com a política de pano de fundo, e que não reza em cima de nenhuma cartilha de implementação política. Então, as pessoas talvez achem isso uma blasfêmia.

JOEL PINHEIRO: Vai cutucar alguns egos aí…

DANILO GENTILI: Se alguém acha que algum código de correção política é sagrado, essa pessoa irá achar a gente profano. Porque a gente não está rezando por ele. Por nenhum.

JOEL PINHEIRO: Muitos críticos dizem que ser politicamente incorreto no Brasil é só um código pra dizer – “sou de direita”. É o caso?

DANILO GENTILI: Não, jamais. Eu acho que o que eles fizeram é o seguinte, eles pegaram qualquer indivíduo que tem uma opinião própria independente e colocaram no balaio de inimigo, e como quem faz isso quase sempre é a esquerda, o inimigo deles é a direita. Se você tem qualquer opinião que entre em confronto com a agenda política deles, obviamente você é um inimigo deles. Se você é inimigo deles, obviamente você é de direita. Obviamente você é a favor da ditadura militar brasileira. É o que eles tentam fazer. E eles sabem que não são, mas eles tentam calcar desse jeito.

JOEL PINHEIRO: Você recentemente conversou com Ron Paul, esse político americano que de uma forma ou de outra é visto como um ideal por muita gente. Você acha que isso falta no Brasil? Ou você tem uma visão, digamos, cínica da política, que isso é impossível e não tem essa coisa de ideal?

DANILO GENTILI: O que eu sinto falta no Brasil é ideal, sem dúvida. Se você pegar o debate político, não é um debate ideológico. Não é um debate de ideais. É uma briga por cargos. Não é pra ver o que a próxima pessoa eleita irá fazer. Vai aumentar o Estado? Vai diminuir? Vai aumentar o bem estar social? Vai diminuir? Vai aumentar imposto? Vai diminuir? Não é briga ideológica, é briga por cargos. É uma briga de quem será o próximo que vai fazer o que o atual faria.

JOEL PINHEIRO: É o jogo do poder…

DANILO GENTILI: É o jogo do poder. Então é uma briga por cargos, não ideológica. Tá bem despolarizado o debate político no Brasil já tem um tempo.

JOEL PINHEIRO: Escândalos, de alguma forma talvez alusiva ou indireta, entram no Politicamente Incorreto?

DANILO GENTILI: Entram, mas são escândalos que não são de uma pessoa só. São escândalos que todos os dias acontecem, que já viraram banais.

JOEL PINHEIRO: A política é um escândalo quase, né?

DANILO GENTILI: É um escândalo quase. Mas a série se chama Politicamente Incorreto não é só por um trocadilho com a política, que é o pano de fundo da nossa série. Também tem a ver com o discurso politicamente correto, que hoje, mais uma vez, saindo de qualquer item da cartilha dos caras você já tá fazendo um escândalo, você é polêmico. Qual é a sua polêmica? A minha polêmica é que eu falei o que eu penso, e o que eu penso não tem a ver com essa agenda política que vocês estão implementando. Esse é o escândalo, essa é a polêmica. Então a série aborda muito esse discurso também. Ele é um deputado que, pra agradar o status quo, não tem problema nenhum em falar e desfalar na mesma frase, em como se defender com esse discurso politicamente correto. Às vezes ele é politicamente incorreto, às vezes ele é politicamente correto. Na verdade ele tem a moral muito relativa.

JOEL PINHEIRO: Mas quando eu perguntei de escândalo, eu quis dizer – escândalo da Petrobras… Isso entra?

DANILO GENTILI: Então, o da Petrobras não entra nenhuma alusão porque a gente acabou de gravar a série semana passada.

JOEL PINHEIRO: Mas anteriores, entrou alguma coisa?

DANILO GENTILI: Tem uma ou outra referência, sim. Mas nessa primeira temporada, pelo menos, a gente está tentando fazer genérico no discurso atual, que é o do politicamente correto. Essa primeira temporada está assim. É provável que tenha uma segunda, uma terceira e a gente irá começar a ir pra esse lado também.

JOEL PINHEIRO:  Legal, olhando pro que tá acontecendo mesmo…

DANILO GENTILI: Pois é. Agora, não falando de política, mas falando da estrutura do negócio, a primeira temporada você tem que apresentar os personagens – tem toda aquela estrutura narrativa. Preocupação que não é só falar de política. Então tem que apresentar os personagens, apresentar o cenário em que eles interagem, ser atrativo e legal pras pessoas que irão assistir… Depois, se pegar, aí dá pra ser mais objetivo em algumas coisas.

JOEL PINHEIRO: Série política a gente pensa logo em House of Cards, que é um drama, super sério. Deve ser bem diferente de Politicamente Incorreto…

DANILO GENTILI: Não, essa é só esculhambação.

JOEL PINHEIRO: Tá certo. E veremos o Danilo na política ou não?

DANILO GENTILI: Não. Tenho mais o que fazer. Minha mãe não tá na zona! Haha!

JOEL PINHEIRO: Pois é. Bom, muito obrigado Danilo por essa conversa. Sucesso.

DANILO GENTILI. Valeu, obrigado!

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