É o começo do fim. O PT já era. E você irá junto com ele, militante.

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É o começo do fim. O PT já era. Lula dançou. Dilma morrerá na praia. E a partir da manhã de hoje será apenas questão de tempo para o seu governo se desmanchar no ar. Aos livros de história, um desses grandes capítulos ilustrados com manchetes de páginas policiais. A tragédia shakespeareana com longos diálogos de língua presa. A novela mexicana com melodrama de camburão.

Mas isso é apenas parte da história. Há outra cena, embora silenciosa, rompendo em desespero: o seu passado pelego naquela sua rede social favorita, com todos aqueles textões e imagens em tons de discuso oficial.

É, a sua mesmo. Não adianta olhar pro lado. Você sabe exatamente de quem estou falando.

Estou falando de você. Você que passou os últimos anos dizendo que quem não votava no PT não gostava de “pobre andando de avião”. Você que acusava quem fazia oposição de golpista e de fascista, e que dizia que não era manipulado pela mídia (pois é, você estava o tempo todo sendo manipulado pelo governo, espertão). Você que gastou saliva interpretando como tucano tudo aquilo que não fosse petista. Você que transformou todos os adversários do partido em meros defensores enrustidos da ditadura militar. Você.

Você que passou os últimos tempos tentando resumir todo protesto contra o governo a um mero machismo enraizado contra a primeira presidente mulher e uma revolta de gente rica contra o primeiro presidente operário. Você que fez pouco caso da revolta que tomou milhões de pessoas nos últimos tempos e que sempre fez questão de tratar todas as manifestações contra o governo como mero carnaval fora de época de gente com grana e ignorante. Você que fingia ser o único da turma a ter lido os livros de história – que, mais do que isso, fingia ser o único da turma a se importar com os mais pobres. Você que jurava lacrar e sambar, e que chamava a “presidenta” de “coração valente” e de “Dilmãe”. Você que apertou 13 com orgulho e saiu por aí vomitando isso na cara de todo mundo. Você caiu também.

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Mas não se preocupe: você não está sozinho. Tem uma trupe toda nessa, gente pra todos os gostos. Tem blogueiro chapa-branca, roqueiro estatal, líder sindical pelego e diretor de teatro mambembe que finge fazer Broadway com dinheiro público. Tem apresentador de talk show governista, comediante que faz humor a favor, líder estudantil que não estuda e comentarista de tv que disfarça jornalismo com assessoria de imprensa oficial. Estão todos juntos, de mãos dadas. Todos pretensos intelectuais, independentes, politizados e com consciência social. Todos esfacelados numa imensa piscina de vergonha. 

Agora, você pode fingir um montão de coisas. Há uma lista de desculpas esfarrapadas feitas sob encomenda para cada integrante subcategorizado do peleguismo canarinho. É só escolher uma. Você pode fingir que esse é um golpe de direita e que existe um complô midiático pronto para derrubar o governo. Pode dizer que é cedo demais para decretar qualquer coisa e insistir que tudo não passa de uma intriga fraudulenta e conspiratória da oposição. Ou pode dizer que o país, governado há mais de uma década pelo PT, vive uma ditadura dos órgãos oficiais prontos para persegui-lo e que com o Aécio nós estaríamos muito piores (ainda dá tempo de fingir que não sobra outro papel a quem não é petista a não ser virar tucano).

Pode dizer tudo isso e muito mais. Pode compartilhar textão ensaboado de blog chapa branca que finge isenção com um imenso banner da Petrobras do lado e disfarçar que irá para as ruas protestar a favor do establishment como se isso fosse revolucionário. Pode bancar o malufista e dizer que todo mundo rouba, mas que o PT ao menos rouba, mas faz. Pode até ensaiar um silêncio ensurdecedor até não perceberem mais a sua presença ou então fazer de conta que nesses anos todos, mais do que abraçar cegamente, você exerceu aquele apoio crítico ao governo carregado de apoio e com quase nenhuma crítica (o PSOL costuma tomar esse caminho). Agora, tanto faz – tapar os ouvidos, esbravejar, xingar meio mundo de tucanalha. Nesse ponto da história, pouca coisa muda. A tragédia está consumada.

Daqui pra frente, sinto dizer, acho que você terá que se mudar pro Sri Lanka pra falar de política novamente sem provocar gargalhada. Ou começar a dedicar mais tempo a divagar sobre, sei lá, culinária oriental, crochê, tarô, poesia concretista. Política? Acabou. Já era. Perdeu, playboy. O seu tempo de textões governistas sendo levados a sério chegou ao fim. O PT caiu. Mas não foi sozinho. Você também caiu junto nessa.

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