Em Uganda, governo distribui camisinha para combater AIDS. O problema? Elas são pequenas demais.

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Os legisladores de Uganda – país localizado no centro da África, onde 7,2% da população está infectada pelo vírus HIV – estão recebendo uma reclamação inusitada da parte de seus cidadãos. Ao que consta, o combate à AIDS no país está enfrentando sérios percalços, já que os preservativos distribuídos pelo governo são pequenos demais para a maior parte dos homens.

Em uma reportagem do canal NTV Uganda, o deputado Tom Aza, membro de um comitê parlamentar voltado ao tema, relatou que uma recente expedição pelas zonas ugandenses mais afetadas pelo vírus revelou que alguns homens “têm órgãos sexuais maiores e, por isso, deveriam ser levados em conta para receber preservativos maiores”. Ainda, o deputado explicou que “quando eles têm atividade sexual, as camisinhas estouram naturalmente com a pressão”.

Outro parlamentar, Merard Bitekyerezo, afirmou quealguns jovens se queixam de que as camisinhas que recebem são curtas demais, e seus órgãos não cabem nelas”.

A reportagem ainda relatou que, em vista desses problemas, os legisladores irão se esforçar para que os suprimentos de camisinhas sejam melhores e contemplem preservativos maiores.

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Propaganda para conscientização do uso da camisinha no combate à AIDS em Moçambique.

O governo de Uganda possui desde 1992 um órgão voltado à prevenção da AIDS, a Uganda AIDS Commission. Incentiva-se por lá uma estratégia de prevenção conhecida como “ABC” (“abstinence, be faithful, use a condom”) – que prega a abstinência sexual, a fidelidade e, em último caso, o uso de preservativos. Na década de 2000, contudo, a influência do governo de George W. Bush fez com que o programa governamental ugandês se concentrasse principalmente nos itens “A” e “B” da estratégia – deixando para trás o incentivo ao uso de camisinhas, retomado apenas recentemente.

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O controle governamental sobre a distribuição de preservativos no país já levou a inúmeros problemas de oferta – como, aliás, sempre ocorre quando esse tipo de controle está presente. A questão do tamanho é só mais um capítulo em uma longa novela.

Em 2004, por exemplo, descobriu-se que a marca de camisinhas mais popular do país falhava em testes de segurança. Isso levou a um aumento das restrições sobre as importações do produto, o que levou à escassez no final do mesmo ano. Em 2010, em uma situação similar (e tão ou mais desesperadora quanto a falta de papel higiênico na Venezuela, diga-se de passagem), mais uma vez faltaram camisinhas no mercado. Por fim, uma campanha promovida pelo governo em 2013 atraiu críticas de inúmeros setores ao incentivar o uso de preservativos em “puladas de cerca”.

Ao leitor mais preocupado, vale lembrar que problemas similares dificilmente seriam enfrentados no Brasil. Em primeiro lugar, porque esse ainda é um setor pouco regulamentado da economia – e, exatamente por isso, um pacote com três preservativos de dimensões ugandenses custa pouco menos que uma passagem de ônibus. Em segundo lugar, e ainda que o setor passasse a ser controlado fortemente pelo governo – como é em Uganda – já temos candidatos a deputado aptos a representar esse tipo de demanda popular.

Pelo menos por ora, estamos salvos.