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Esses caras não estão reagindo muito bem ao recrutamento militar obrigatório…

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Duas mulheres na Lituânia estão usando a arte da fotografia para abordar um tema extremamente controverso – o recrutamento militar obrigatório, medida que há poucos meses voltou a ser adotada pelo atual governo do país, receoso com sua segurança desde que Putin se tornou uma ameaça. O ensaio é uma colaboração entre a atriz e apresentadora Beata Tiškevič-Hasanova com Neringa Rekasiute, fotógrafa e estudante de ciências políticas do pequeno país ao norte da Polônia.

No dia 11 de maio, mais de 37 mil lituanos, com idades entre 19 e 26 anos, encontraram seus nomes na lista do serviço militar obrigatório do país – 3000 eram necessários para a primeira onda de recrutamento, embora dois terços deste primeiro grupo tenho sido preenchido por voluntários. Alguns desses homens usaram as redes sociais para expressar seus pensamentos sobre aquilo que entendiam como uma pura e simples “loteria”. Além do medo de levar a própria vida a contragosto, ainda foram obrigados a lidar com uma opinião pública implacável – ao reclamarem, eram constantemente chamados de “efeminados”, “covardes” e “vergonhosos”, entre outros adjetivos pouco honrosos. Foi exatamente essa percepção tão negativa que chamou a atenção de Beata e Neringa.

Há pouco tempo, para justificar a convocação, a chefe do parlamento lituano, Loreta Graužinienė, disse que “as mulheres têm a tendência para cuidar da família e fazer bebês, enquanto os homens vão para o exército”. Além da discussão sobre a obrigatoriedade do recrutamento militar, Beata e Neringa acreditaram que essa também era uma boa maneira de mostrar o quão perigoso expectativas de gênero são: normalmente esperamos que um homem aja sempre de forma racional, sem emoções e seja agressivo. Mas não é bem assim que as coisas funcionam.

“Ter uma trágica história relacionada com a antiga União Soviética, deportações em massa de pessoas da Lituânia para a Sibéria e outras atrocidades que foram cometidas pela União Soviética são profundas em nossa memória. Então, eu acho que o reforço do militar é uma prioridade importante na Lituânia hoje. Mas eu não concordo com a aleatoriedade dos convocados ao exército. Acho que não é democrático forçar as pessoas a servir no exército”, disse a fotógrafa, chamada no país de “inimiga do Estado” graças ao ensaio.

O ensaio a seguir expõe a comoção de 14 homens com idades entre 17 e 28 anos, retratados chorando em uniformes militares.  As imagens são acompanhadas por citações dos modelos – eles estão expressando suas opiniões sobre o que é ser viril e o que pensam sobre o exército.

E você? Como reagiria a um recrutamento militar obrigatório?

Jaunius, 18: Uma arma em suas mãos não define sua masculinidade.

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Vytautas, 27: O exército não transforma ninguém em homem, se o cara for um filho da puta, vai continuar sendo servindo o exército ou não.

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Dominykas, 26: É minha escolha o tipo de homem que quero ser.

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Rokas, 17: É da índole masculina trabalhar por suas metas e ideais, e defender seus valores. Acho que todo mundo pode ir à guerra, mas o exército definitivamente não é para todos.

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Vytenis, 18: Eu poderia servir o exército sim. Às vezes me faltam valores e perseverança para fazer as coisas. O exército é bom se você conseguir suportá-lo. Inspirou uma amiga minha que hoje é uma valorosa soldada.

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Edvinas, 17: Será possível enclausurar a escolha de um homem e seguir chamando-o a viver em liberdade?

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Danas, 28: Acho que o tempo em que um homem tinha que matar um búfalo a cada dia para alimentar sua família é coisa do passado. Em geral, o exército não é ruim, mas quando é obrigatório não é bom em absoluto. Sobretudo quando a porra do governo anuncia repentinamente sem nenhuma preparação ou debate público. Deveria ter um sistema no qual desde o colégio você saiba que tem a possibilidade de ir ao exército e possa crescer com essa ideia, como existe em outros países.

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Denisas, 23: Na sociedade livre atual não há espaço para a coação.

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Martynas, 22: Ser homem é ser capaz de escolher por você mesmo.

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Jegor, 25: Quando a gente luta todos perdem.

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Justas, 18: A verdadeira força está na capacidade de tomar suas próprias decisões. Deixem-nos sermos fortes.

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Mindaugas, 25: Quando eu estava no colégio, acabaram com o alistamento militar obrigatório, e fiquei muito feliz, mas me dei conta que então eram melhores tempos para ir ao exército do que agora, quando tenho minha própria agência e criei emprego para mais pessoas. Agora tenho que cuidar de tudo isso.

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Justas, 27: O exército é uma grande perda de tempo. De quantos soldados mais precisamos?

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Lukas, 25: Se me chamassem para servir o exército, tentaria buscar uma maneira de evitá-lo. Tenho uma esposa, estamos muito bem juntos e a família é o primeira preocupação para mim. Criamos tantas coisas que não quereria abandoná-las de forma alguma.

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