Este é o melhor vídeo sobre a guerra às drogas que você assistirá hoje

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Ex-traficante, ex-militar e atual professor de neurociência da Universidade de Columbia, Carl Hart é possivelmente o maior nome quando o assunto é a viabilidade da guerra às drogas – afinal, ele é uma das poucas pessoas vivas que experimentou a proibição por pelo menos 4 faces diferentes: como usuário, traficante, militar e acadêmico.

E a visão do cientista é clara: ela falhou.

Natural de Miami, Carl cresceu num dos bairros mais pobres da cidade. Por volta dos 20 anos se envolveu com o crime e foi usuário de drogas. Mas viu uma oportunidade de melhorar de vida alistando-se no exército, onde serviu por quatro anos. A carreira militar serviu-lhe como uma porta de entrada para o mundo acadêmico, onde começou a estudar de perto os efeitos das substâncias psicoativas ainda durante a graduação.

A busca pelas respostas o instigaram a ir além – Carl acabou coautorando dezenas de artigos científicos; apenas na Nature, a mais respeitada revista científica do mundo, foram 9.

Com uma bagagem prática e teórica tão grande, as opiniões do cientista certamente merecem ser ouvidas com atenção. Mas, apesar do grande reconhecimento lá fora, no Brasil o doutor ainda é pouco conhecido.

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As palavras do cientista atuam como uma voz na mídia para as milhões de pessoas que perderam algum membro da família por conta da agressiva política antidrogas em vigor em todos os países do mundo – principalmente os negros, grupo no qual o pesquisador se inclui, que são hoje 3 vezes mais propensos a serem presos do que brancos.

Como Carl já demonstrou em um de seus estudos, entre 80 e 90% dos usuários de drogas ilegais não são viciados. Pelo contrário: são membros produtivos da sociedade, em dia com suas contas e muitas vezes com uma família para cuidar. E essa estatística se repete mesmo entre as drogas “pesadas” e altamente viciantes, como a heroína: 77% das pessoas que a experimentam não desenvolvem o vício.

Outra grande contribuição de Carl que merece ser mencionada é seu estudo sobre as escolhas racionais dos viciados em crack.

Em um hospital, diversos viciados na droga foram “internados” por algumas semanas, tempo que durou o estudo. Inúmeras vezes ao dia, os voluntários tinham a chance de escolher entre uma dose de crack ou um prêmio – US$ 5 em espécie ou em crédito em algum supermercado da região. Mas havia um porém: o dinheiro não seria recebido na hora, mas apenas quando os voluntários acabassem o estudo, que durou por longas semanas.

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Na primeira etapa, cerca da metade dos pacientes preferiu receber o dinheiro à dose de droga. Esse número aumentava à medida que a dose de crack disponível para consumo diminuía. O Dr. então resolveu aumentar a recompensa, numa nova etapa do estudo: US$ 20. Ao contrário da imagem popular do usuário de droga que faz qualquer coisa por mais uma dose, o resultado observado seguiu um caminho oposto: todos os viciados escolheram o dinheiro, ainda que não fossem recebê-lo no momento, à chance de usar uma dose de droga imediatamente.

Mas todo discuso teórico não impressiona: você já deve estar cansado de ler sobre esses milhares de dados e testes em ambientes controlados. E é por isso que trazemos o minidocumentário abaixo, gravado durante a passagem de Carl pelo Brasil. O vídeo foi produzido pelo pessoal do Estúdio Fluxo. Nele, o nosso cientista-médico-professor discute o problema do crack a partir de uma perspectiva brasileira.

Assiste aí, são só 20 minutinhos!