Este vídeo irá mostrar por que tudo que você pensa sobre o capitalismo está errado

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Nathan Rothschild era o homem mais rico do mundo em 1836, quando foi acometido por um furúnculo na parte inferior de suas costas. Antes desse pequeno incidente, o banqueiro alemão gozava de boa saúde aos 59 anos de uma vida dedicada exclusivamente à construção da maior riqueza de seu tempo. Nathan teve imediatamente à disposição os melhores médicos do planeta. De nada adiantou. Em pouco tempo, as bactérias do pus do seu furúnculo tomaram conta da sua corrente sanguínea, espalhando-se rapidamente pelo corpo. O herdeiro de uma das dinastias mais icônicas do século dezenove morreria vítima de uma septicemia causada por estafilococo. Os Rothschilds poderiam ter todas as coisas de seu tempo à disposição, mas nenhuma fortuna do mundo seria suficiente para dar-lhes um simples antibiótico, encontrado em qualquer farmácia de hoje.

É possível afirmar sem medo que o cidadão médio hoje no Brasil vive incomparavelmente melhor que Nathan Rothschild, John Rockefeller ou J.P. Morgan. Mas quase nunca nos damos conta disso. Pelo contrário, poderíamos apostar todas as nossas fichas que o mundo é um lugar mais miserável, menos saudável e mais desigual do que nunca. E a razão é simples: ignoramos que o estado natural da humanidade é a pobreza e não assimilamos muito bem o que tínhamos décadas atrás do que temos hoje, algo que nos deixa numa propensão quase irresistível de sermos pessimistas.

Você provavelmente deve saber disso, mas talvez nunca tenha parado pra pensar a respeito: a riqueza é algo que precisa ser criada, produzida. E a julgar os incontáveis séculos de estagnação econômica, podemos dizer que essa não é uma tarefa fácil. Desde a Revolução Industrial, porém, o mundo viu um salto inacreditável de riqueza. No censo da população britânica de Gregory King, em 1688, 1,2 milhões de trabalhadores viviam com míseros 4 libras (perto de 15 reais) por ano e 1,3 milhões de camponeses com apenas 2 libras (cerca de 8 reais) por ano, o que equivale a dizer que ao menos metade da população britânica vivia na mais sórdida miséria. Ainda em 1820, 75% da humanidade vivia com menos de um dólar por dia. Na Inglaterra, onde a Revolução Industrial explodiu, o rendimento médio da população, que permaneceu estagnado por longos séculos, começou a crescer por volta de 1800 e em 1850 era 50% maior que seu nível um século antes, mesmo a população tendo triplicado. Passados quase 200 anos, o número de pessoas que sobrevive com menos de um dólar por dia ao redor do planeta caiu para 17%. Nesse intervalo de tempo, como nunca antes testemunhado, a população mundial multiplicou mais de 6 vezes, mas a expectativa média de vida mais do que dobrou e a renda média aumentou mais de 9 vezes.

Como consequência, o desenvolvimento possível nos países com instituições de mercado, acrescentou de forma inevitável um hiato entre eles e seus retardatários. Em 1750, a diferença entre a renda per capita da Europa Ocidental (excluindo o Reino Unido) e da Oriental era em torno de 15%; em 1800, de pouco mais de 20%; em 1860, de 64%; nos primeiros anos do século vinte já era de quase 80%. Em pouco tempo a própria Inglaterra, berço da Revolução Industrial, seria engolida pelos Estados Unidos – em 1913, a produção americana já era duas vezes e meia a do Reino Unido ou da Alemanha, e quatro vezes a da França; seu PIB per capita já superava o do Reino Unido em 20%, o da França em 77% e o da Alemanha em 86%.

Normalmente, atribuímos à economia de mercado a culpa pela criação e a propagação da pobreza – algo presente na aplacável ilusão pessimista que carregamos a respeito do mundo. Mas não poderíamos estar mais equivocados. A massificação da riqueza é uma criação da sociedade de mercado. Num mundo, porém, sem um padrão institucional – com países radicalmente opostos em seus apreços pelo livre-comércio, a propriedade privada e o respeito a contratos, propulsores da prosperidade – o hiato entre ricos e pobres será inevitável. A desigualdade entre os países é consequência de taxas diferenciadas de crescimento no passado. Os países são pobres porque cresceram pouco ou não cresceram por um longo período de tempo. E não há segredo – países que alimentam instituições favoráveis ao mercado tendem a enriquecer, enquanto países que as rejeitam tendem a permanecer onde estão. Botswana, Singapura, Hong Kong e Chile apostaram nesse modelo e testemunharam os maiores crescimentos econômicos do último século. Suécia, Suíça e Estados Unidos fizeram o mesmo no século anterior. Não há outra solução para o Brasil.

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Ainda assim, mesmo entre os países mais pobres, a evolução é evidente. Se nos últimos tempos os ricos ficaram mais ricos, os pobres tiveram um salto ainda maior. Os pobres do mundo em desenvolvimento aumentaram o seu consumo duas vezes mais depressa do que o mundo como um todo nas duas últimas décadas do século vinte. Os chineses são 10 vezes mais ricos e vivem 28 anos a mais do que há 50 anos, quando tentavam sobreviver aos piores anos do governo Mao Tsé-Tung. Nesse mesmo período, os nigerianos se tornaram 2 vezes mais ricos e acrescentaram 9 anos a mais de expectativa de vida. Apesar da população mundial ter dobrado nesse período (em outras palavras: houve um crescimento populacional maior nos últimos 50 anos do que nos últimos dois milhões de anos), a porcentagem de pessoas que vivem na absoluta pobreza caiu mais da metade – mais do que nos últimos 500 anos. E isso, definitivamente, não é pouca coisa.

No vídeo abaixo, o acadêmico sueco Hans Rosling e seu filho Ola, fundadores da Gapminder Foundation, explicam de que forma a humanidade vem evoluindo e como nasceu o desafio de ajudar a transformar o planeta num lugar menos ignorante a seu próprio respeito. Se você quer ajudá-los nessa épica jornada, não deixe de compartilhar esse vídeo.