Novos e-mails vazados revelam farsa em outro estudo sobre aquecimento global

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Um dos estudos mais aclamados desse ano pode ter sido comprado e conter dados totalmente falsos. Trata-se de uma pesquisa que afirmava que as regulamentações sobre emissão de dióxido de carbono promovidas por órgãos do governo americano durante o mandato do presidente Barack Obama estariam salvando milhares de vidas todos os anos.

Conversas obtidas pelo jornalista e ex-executivo do setor de carvão mineral, Steve Milloy, através de um pedido embasado judicialmente na Freedom of Information Act (Lei de Acesso à Informação), mostram conversas suspeitas entre cientistas e a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), alvo de estudo dos pesquisadores.

Até a divulgação do documento, a EPA afirmava que o estudo havia sido conduzido de forma independente, mas os e-mails divulgados mostram que houve contato direto entre os cientistas e a agência, como informa a RT.

Produção de energia limpa é uma das principais bandeiras do governo Obama, de forma que ter um estudo independente indicando os acertos da gestão poderia garantir vantagens políticas.

Após a publicação da pesquisa, em maio deste ano, Liz Purchia, porta-voz da EPA, afirmou que o estudo comprovava que os esforços da agência “estavam no caminho certo”. O estudo foi publicado na renomada revista Nature, que agora pode enfrentar duras críticas.

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Durante seu lançamento, um de seus coautores, Jonathan Buonocore, da Universidade de Harvard, reiterou em uma entrevista que a EPA “não participou do estudo nem interagiu com os autores”.

Outras declarações, um tanto quanto provocativas, vieram de outro coautor, Charles Driscoll, da Universidade de Syracuse, que afirmou categoricamente ao The New York Times que “foi uma coincidência que um dos nossos modelos de pesquisa se assemelhassem tanto com a proposta do governo federal.” Em outra oportunidade, quando entrevistado pelo Buffalo News, o cientista novamente desconversou:

“Eu sou um acadêmico, não um político. Eu não tenho nada pessoal com isso.”

Mas as conversas obtidas pelo jornalista provam exatamente o contrário.

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As principais mensagens teriam sido trocadas entre julho do ano passado e janeiro deste ano – o que revela que o contrato entre os grupos foi contínuo.

Nas primeiras mensagens, uma das cientistas envolvidas no estudo, Kathleen Lambert, entra em contato diretamente com os membros da EPA para marcar uma conferência. Além de Kathleen, outros cientistas envolvidos no estudo também aparecem entre os contatos que participaram da comunicação.

Entre as mensagens, surge um pedido de outros empregados da EPA para se juntarem à conferência, que trataria de assuntos relacionados às especificações do projeto de energia limpa da agência.

Em outras conversas, quem dá as caras é Charles Driscoll, que relata aos funcionários da EPA algumas descobertas “muito mais bem sucedidas do que o previsto” na pesquisa. Charles também pede para falar com os funcionários em privado por telefone. Nas mensagens seguintes, os funcionários e os dois cientistas trocam alguns dados e informações sobre campos de cultivo e efeitos climáticos.

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Mas o contato entre os pesquisadores e a agência vai muito além das mensagens: envolve dinheiro.

Outros documentos divulgados pelo jornalista revelam pagamentos feitos pela agência a projetos com o envolvimento direto desses cientistas, que insistem em declararam-se como “independentes”. O valor total das transações ultrapassa os US$ 45 milhões.

Charles Driscoll esteve envolvido em movimentações que somam US$ 3,6 milhões com a agência, enquanto Jonathan Buonocore está relacionado com apenas US$ 9,5 mil. Outros três autores também aparecem nos arquivos: Jonathan Levy (US$ 9,5 milhões), Dallas Burtraw (US$ 1,9 milhão) e Joel Schwartz, com incríveis US$ 31,1 milhões associados ao seu nome.

Após a revelação feita por Milloy, o jornal Daily Caller tentou contato com os autores do estudo, mas nenhum deles retornou aos pedidos.