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6 imagens que mostram como a situação na Venezuela está ficando preta

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Funcionários do supermercado Unicasa, no bairro de Cumbres Curumo – área de classe média alta, onde muitos militares vivem, por suas proximidades com Fort Tiuna, a principal fortaleza militar da Venezuela, em Caracas – estão vivendo dias tensos. Na semana passada, o estabelecimento recebeu um novo carregamento de leite em pó, produto que na Venezuela é tão escasso quanto água no deserto. Imediatamente se estabeleceu o caos. Moradores de todos os cantos da capital venezuelana foram avisados e em pouco tempo se juntaram aos moradores locais na fila para comprarem sua cota de quatro pacotes, o máximo permitido.

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Num esforço para tentar assegurar a todos os bens mais procurados no país – leite (em pó e líquido), café, arroz, papel higiênico, açúcar, sabão e óleo –, o governo de Caracas regulamentou a venda desses produtos nos supermercados. Mas isso não tem sido o bastante. Cada dia que passa a procura tem sido muito maior do que a oferta.

Há dois anos, a escassez extrema é vista diariamente em cerca de 60% dos produtos pelos venezuelanos, que dispendem entre 6 a 8 horas por semana em filas para comprar os gêneros alimentícios mais básicos, assim como a produtos de higiene e limpeza.

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O pior lugar para encontrar comida no país são os centros de abastecimento estatal – onde tudo está sempre em falta –  como o Pdval, o Bicentenário e o Mercales, que são subsidiados e, por isso, oferecem preços mais baixos do que as redes de supermercados privados, tais como a Excelsior Gamma, o Central Madeirense e a Central Plaza.

Francisco Martinez, vice-presidente sênior da FEDECAMARAS (a principal confederação de associações empresariais do país) disse, na última sexta-feira, que, embora seja normal haver alguma porcentagem de produtos em falta ao se iniciar um novo ano, a principal causa da atual escassez é o sistema de controle de preços e de câmbio imposto pelo governo, presente desde 2003.

No último dia 8, a Ministra de Interior, Carmen Melendez, pediu aos consumidores para que “parem de desespero”, pois, segundo ela, há produtos para todos.

“[Fiquem] em silêncio, com paciência, e as prateleiras estarão cheias”.

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O desabastecimento da Venezuela ocorre graças a um contexto nacional de recessão econômica, onde há descontrole das contas públicas e inflação anual de 60%, segundo o Banco Central do país. A queda no preço do barril de petróleo, a principal fonte de renda do governo venezuelano, também tem acentuado ainda mais a crise instaurada na nação latino-americana.

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O presidente em exercício do país, Nicolás Maduro, está realizando, neste momento, viagens à Rússia, China e outros países da OPEP, tentando conseguir um empréstimo para livrar as contas públicas venezuelanas, arrasadas pela diminuição das receitas fiscais – fato ocasionado pela queda de 55% nos preços do petróleo. O colapso do setor petrolífero no país afetou a importação de alimentos e medicamentos, além de despesas públicas.

O chefe da República Bolivariana tem adiado, há mais de um ano, a implantação de medidas de austeridade, como a revisão do preço da gasolina no país – a mais barata do mundo –  e a unificação dos controles de câmbio (há três taxas de câmbio oficiais que vão de 6,30-50 bolívar/dólar, coabitando com o mercado negro, no qual cada unidade da moeda americana vale cerca de 173 bolívares).

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Maduro, cuja popularidade, de acordo com o instituto Datanálisis, despencou para 22% em 2015, acredita fielmente que a salvação do país virá dos países aliados –  como a Rússia e a China – que, caso ele esteja certo, deverão fornecer uma linha de crédito de 15 bilhões de dólares para aliviar o gigantesco déficit nas contas públicas venezuelanas.

Entretanto, o presidente ainda precisa conseguir um sinal concreto acerca do empréstimo para que a economia venezuelana possa respirar.

Maduro, que esteve presente na posse do segundo mandado de Dilma, foi o primeiro compromisso oficial da petista nesse ano – e também pediu ajuda para fortalecer os laços comerciais entre as duas nações.

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Para diminuir os impactos – e a divulgação – da crise, o governo de Caracas, junto com os proprietários das redes de supermercado, concordaram em proibir os clientes de tirar fotos das geladeiras e prateleiras vazias, registrando a escassez do país. Caso alguém venha a desobedecer a nova ordem e seja pego, os funcionários dos mercados estão instruídos a chamar os soldados da Guarda Nacional, que, na melhor das hipóteses, confiscarão a câmera – e na pior, confiscarão o fotógrafo.

A situação na Venezuela está ficando preta. Resta saber quanto tempo Maduro – e a população – resistem, antes de novos protestos tomarem conta do noticiário internacional.

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