Usando o seu dinheiro, Lula e Bolsonaro viajam o país fazendo campanha

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Segundo a mais recente pesquisa de intenção de voto do Instituto Datafolha, o ex-presidente Lula lidera os cenários para a eleição presidencial em 2018, com Jair Bolsonaro em segundo lugar. Se a tendência da enquete se mantiver, a mais nova estrela presidenciável do PSL assumirá a liderança da corrida ao Planalto caso a Justiça Federal confirme a condenação do petista no próximo dia 24, tornando-o inelegível. No ano passado, os dois colocaram o pé na estrada, viajando o Brasil em busca de apoio para suas pré-candidaturas.

Em comum, as viagens tiveram aportes de recursos públicos, de acordo com dados da Câmara dos Deputados e da Presidência da República. Enquanto o ex-capitão do Exército usou dinheiro da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar para adquirir passagens para si e seus assessores, funcionários a serviço do ex-presidente tiveram passagens e diárias pagas pelo Planalto para acompanharem a Caravana Lula pelo Brasil.

De acordo com a Câmara, o chamado “cotão” é uma verba indenizatória que deputados podem utilizar para gastos exclusivamente vinculados ao mandato parlamentar. Ou, nas palavras de Bolsonaro em entrevista à Folha de S. Paulo:

Posso ter funcionário lotado no Distrito Federal e no Rio de Janeiro, como parlamentar. Não posso ter no Ceará, por exemplo. Se eu for abrir escritório em Resende, abrir em Angra, [já] tenho em Niterói, vou abrir quatro escritórios, vou pagar como?”

O perfil dos gastos aéreos de Bolsonaro vem mudando desde que o ímpeto presidencial do deputado ganhou fôlego. Levantamento de dados do Estadão/Broadcast aponta que, nesta legislatura (entre 2015 e 2017), o fluminense gastou 39% mais com passagens custeadas pela Câmara do que no período anterior (de 2011 a 2014): passou de R$ 261 mil para R$ 362 mil. Mais ainda: dados abertos da casa de leis demonstram que, apenas no ano passado, Jair adquiriu 45 bilhetes de avião para trechos fora do eixo Brasília – Rio de Janeiro, num total de R$ 43.475, perfazendo todas as regiões brasileiras. Os valores são gastos com viagens do parlamentar e de funcionários de seu gabinete.

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Apesar de ter sido escolhido como representante do Rio de Janeiro na Câmara por 464.572 eleitores fluminenses, Jair exerce atividade parlamentar em diversas cidades, como Belém, Belo Horizonte, Campina Grande, Campo Grande, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Londrina, Manaus, Maringá, Navegantes, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, São Paulo e Teresina.

Em informativos de prestação de contas distribuídos ao seu eleitorado, Bolsonaro justifica suas viagens como uma troca de experiências sobre a administração pública. “Minhas viagens, em consonância com a abrangência nacional de meu mandato, visam a obter e transmitir conhecimentos e experiências.”

Apesar de não ser deputado e não contar com Cota Parlamentar, Lula, por outro lado, goza de outros privilégios. Na categoria de ex-presidente, o petista tem direito a quatro servidores dedicados à sua segurança pessoal, dois carros oficiais com motorista e mais dois assessores especiais. Tudo entra na conta do contribuinte brasileiro, inclusive os custos de combustível, manutenção dos veículos e as diárias e passagens dos servidores, quando em deslocamento para acompanhar o velho mandatário.

No ano passado, para pagar os salários dos oito funcionários de Lula, foram gastos mais de R$ 1 milhão. Até o mês de outubro, o Planalto pagou outros R$ 106 mil aos assessores do petista a título de verbas indenizatórias – onde se inserem, dentre outros benefícios de servidores federais, os gastos com vale-alimentação e auxílio-creche, por exemplo. Fora isso, o contribuinte gastou R$ 32.303,54 com o cartão corporativo de Valmir Moraes da Silva, motorista de Lula, que utiliza a conta apenas para encher o tanque dos carros oficiais à disposição do ex-presidente.

E tem mais: segundo levantamento do Spotniks, a partir do Portal da Transparência, o Governo Federal gastou mais de R$ 190 mil com diárias e passagens para os assessores do petista. Do total, identificamos que R$ 61,6 mil foram usados pelos funcionários para acompanharem a Caravana Lula pelo Brasil, série de viagens de pré-campanha realizadas no ano passado pelo ex-presidente, para fortalecer seu nome na corrida eleitoral de 2018. No total, foram 210 diárias pagas com dinheiro público para garantir a segurança e o apoio pessoal ao petista durante sua peregrinação pelo Nordeste e Minas Gerais. A caravana passou também por Espírito Santo e Rio de Janeiro, em Dezembro, mas os dados dessas viagens ainda não estão disponíveis no Portal da Transparência.

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Oficialmente, a justificativa do ex-presidente para as viagens não é muito diferente da dada por Bolsonaro para suas passagens aéreas. De acordo com o Partido dos Trabalhadores, o projeto Lula Pelo Brasil “é uma iniciativa do PT com o objetivo de perscrutar a realidade brasileira, no contexto das grandes transformações pelas quais o país passou nos governos do PT e o deliberado desmonte dos programas e políticas públicas de desenvolvimento e inclusão social, que vem sendo operado pelo governo golpista nos últimos dois anos”.

No final de abril, quando os partidos devem prestar contas à Justiça Eleitoral, será possível verificar também quanto dinheiro público o PT desembolsou do Fundo Partidário para acompanhar a caravana do ex-presidente. Da mesma forma, caso Bolsonaro tenha usufruído de verbas do PEN ou do PSC, a conta do ex-capitão do exército também pode ficar maior.