Missão, Valores e Isenção

Missão.

Foi o dramaturgo britânico Tom Stoppard quem disse que se alguém tem o objetivo de “mudar o mundo, o jornalismo é a arma mais imediata a curto prazo“. Nossa missão, porém, é um pouco mais modesta do que essa: produzir informação e análise jornalística política e econômica com transparência e credibilidade, capaz de colaborar para a construção de um ambiente mais aberto às ideias de mercado e de respeito às liberdades individuais em nosso país.

Valores.

Independência econômica e editorial, apartidarismo, transparência, respeito à diversidade, compromisso na produção de conteúdo educativo e de utilidade pública, clareza na informação, isenção.

Isenção.

Uma das tarefas mais relevantes da ética jornalística versa sobre estabelecer procedimentos que conciliem a natureza dos fatos com a maior objetividade possível e isenção na apuração de seu relato. Atendendo a esse critério, sob o pressuposto de que a difusão de informação de qualidade é o principal propósito para a existência desta publicação, o Spotniks declara compromisso irrestrito com os seguintes princípios:

  1. Confirmar a veracidade de toda informação antes de publicá-la, expondo sua origem sempre que possível para que o leitor também tenha a oportunidade de acessá-la.
  2. Manter atitude apartidária, sem vínculos – diretos ou indiretos – com partidos políticos ou governos estabelecidos.
  3. Rejeitar, em caráter irrevogável e inegociável, qualquer publicidade de natureza estatal (bancos públicos, empresas estatais, prefeituras, ações do governo federal, etc).
  4. Rejeitar, em caráter irrevogável e inegociável, qualquer publicidade de empresas privadas inegavelmente envolvidas em escândalos de corrupção.
  5. Praticar um jornalismo criterioso na apuração das informações, recorrendo a fontes seguras e confiáveis.
  6. Manter independência e autonomia em relação aos interesses de anunciantes.
  7. Priorizar a abordagem de temas que sejam de interesse público e fomentem o debate de ideias.
  8. Permitir espaço para o contraditório, o que implica dizer que todos os envolvidos diretamente num assunto abordado em matéria jornalística têm direito à sua versão sobre os fatos sempre que solicitado.
  9. Identificar e corrigir erros de informação cometidos.
  10. Produzir informação com clareza e objetividade.

Linha Editorial

Essa publicação entende, no entanto, que não existe imparcialidade em análises políticas e econômicas. E que não há nada errado com isso.

Motivações ideológicas fazem parte da pluralidade de imprensa e conectam diferentes veículos ao redor do mundo: ora mais à esquerda (como o The Guardian e o The Huffington Post), ora mais à direita (como o Le Figaro e a Fox News), ora mais liberal (como a The Economist e a Reason Magazine).

Por isso, confirmando o respeito à transparência ao leitor e abrindo espaço para o contraditório nas discussões travadas nas seções de comentários de nossa publicação ou em nossas redes sociais, o Spotniks também declara compromisso irrestrito com os seguintes princípios:

  1. Reconhecer que não há caminho de desenvolvimento socioeconômico possível sem o fortalecimento de instituições políticas e econômicas inclusivas que abracem a liberdade de mercado, a propriedade privada, a livre associação, a liberdade de imprensa, política e religiosa, a isonomia, o laicismo, o respeito aos contratos, a tolerância entre os povos e os direitos humanos/individuais.
  2. Rejeitar e combater ditaduras ou governos inegavelmente populistas e autoritários, de diferentes origens ideológicas, comprometidos com a perseguição a minorias (étnicas, sexuais, políticas ou religiosas) ou em estabelecer uma centralização das decisões políticas e/ou econômicas.
  3. Denunciar empresas privadas inegavelmente compromissadas com o lobby, a corrupção e a manipulação da sociedade de mercado através de atalhos políticos ou por meio de crimes financeiros, entendendo que o corporativismo é tão danoso à economia de mercado quanto o populismo ao estado de direito.
  4. Apoiar os direitos individuais. Entender que o limite de ação de um indivíduo se encerra em outro indivíduo e que ninguém tem o direito de impedir suas decisões e preferências – sexuais, recreativas ou religiosas. Esta visão, transcrevendo o economista vencedor do Nobel, Friedrich Hayek, “não parte do pressuposto de que o homem seja egoísta ou deva sê-lo, como muitas vezes se afirma; parte apenas do fato incontestável de que os limites dos nossos poderes de imaginação nos impedem de incluir em nossa escala de valores mais que uma parcela das necessidades da sociedade inteira; e como, em sentido estrito, tal escala só pode existir na mente de cada um, segue-se que só existem escalas parciais de valores, as quais são inevitavelmente distintas entre si e mesmo conflitantes”. Por fim, conclui “que se deve permitir ao indivíduo, dentro de certos limites, seguir seus próprios valores e preferências em vez dos de outrem; e que, nesse contexto, o sistema de objetivos do indivíduo deve ser soberano, não estando sujeito aos ditames alheios”
  5. Entender que a liberdade de expressão é um direito inegociável e que deve ser usado também, sempre que necessário, para rejeitar o preconceito contra minorias (étnicas, sexuais, econômicas ou religiosas). O mesmo direito que empresas têm de lançar campanhas de gosto duvidoso à opinião geral das pessoas, grupos de pressão também têm de criar campanhas de boicote. Esta publicação repudia todas as formas de intolerância e suas matérias devem se esforçar para assim ser percebidas. Conteúdos publicitários que ferirem esse preceito não serão veiculados.
  6. Entender que a igualdade de direitos é um preceito fundamental. Transcrevendo Thomas Jefferson, “nós consideramos essas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados em equidade” e que possuem “certos direitos inalienáveis, dentre os quais estão a vida, a liberdade e a busca pela felicidade”. Esta publicação entende que todos – agentes do estado ou pagadores de impostos – devem ser tratados de forma igual perante a Lei, independente de cor, credo, classe social, orientação sexual ou opinião política.
  7. Entender que a desigualdade pode ser dividida em duas categorias: uma boa e uma ruim. A boa é aquela que deriva dos talentos e da inventividade da espécie humana. É perfeitamente natural – e positivo – que agentes econômicos inventivos às demandas da sociedade de mercado tenham a possibilidade de adquirir uma renda maior que a média dos trabalhadores. Tais agentes geram bons incentivos, inovação e riqueza a todos que estão ao redor. Quando não permitimos esse cenário, como o século vinte nos ensinou em tantas oportunidades, cortamos os incentivos para a inovação, que é a base da destruição criadora e da riqueza das nações. Ao final do dia, acabamos todos mais pobres. Defender tal posição, no entanto, não significa acreditar que toda desigualdade deve ser encarada com naturalidade. Há também a desigualdade ruim, dominante. Quando agentes econômicos enriquecem por outras razões que não o valor que geram à sociedade, fruto de uma sociedade estamental, verticalizada, criam uma rede de incentivos perversos, através de práticas como o lobby e a corrupção. São os mais pobres que pagam a conta no final. Esta publicação entende que a maior parte da nossa desigualdade de renda é fruto desse cenário e deve ser confrontada.
  8. Condenar abusos de autoridade cometidos por servidores públicos, militares, juízes, policiais, promotores ou representantes políticos. Bandido bom é bandido encaminhado para um julgamento com direito à ampla defesa e preso conforme os termos estabelecidos na Lei.
  9. Aplicar o ceticismo sobre a concentração de poder nas mãos da classe política. Esta publicação, em respeito aos preceitos da Lei de ferro da oligarquia, desenvolvida pelo sociólogo alemão Robert Michels, entende como inevitável que toda grande organização democrática – um governo, um sindicato, uma organização estudantil – seja capturada por uma elite oligárquica.  Segundo Michels, uma grande organização democrática precisa criar burocracia para manter sua eficiência – e consequentemente, quanto maior o seu escopo, demandar inúmeras decisões diárias para o arranjo dessa burocracia. Para essa organização funcionar de forma efetiva, uma centralização é imprescindível, gerando concentração de poder – visto a impossibilidade de que todas essas decisões sejam tomadas por todos ao mesmo tempo. Com o tempo, esses poucos – uma elite oligárquica empresarial, política, sindical, estudantil – acaba usando de todos os meios necessários para preservar e aumentar ainda mais os seus poderes. Esta publicação entende que a única maneira de impedir esta concentração de poder é desburocratizando a sociedade e diminuindo o escopo de operação destes grupos de pressão – ora através de concorrência (quando envolvendo sindicatos, empresas privadas, organizações estudantis), ora com limites claros de atuação estabelecidos em lei (quando envolvendo o estado e seus agentes).
  10. Apoiar o laicismo. Esta publicação não segue qualquer credo religioso em sua orientação editorial e defende que a mistura entre religião e estado costuma ser danosa à riqueza das nações. Também acredita que não é papel da religião impor limites à condução dos avanços da ciência.

Diante do público.

Todo veículo jornalístico tem uma responsabilidade social. O que é publicado no Spotniks é replicado por seus leitores país afora. Esta publicação entende, no entanto, que a sociedade é adulta e por isso não pretende restringir seu leitor da exposição de temas considerados tabus, condenados por diferentes grupos de pressão por supostamente estimularem comportamentos desviantes na população – do debate em torno da guerra às drogas ao do direito ao porte de armas.

Comprometido a não encerrar seu papel em suas próprias palavras, o Spotniks incentiva a pluralidade de opinião de seus leitores nas seções de comentários. Acredita, entretanto, nos valores da civilidade. Por isso, mediará com exclusão comentários contendo insultos ou ataques pessoais a outros leitores.

Diante dos anunciantes.

A saúde econômica do Spotniks é condição fundamental para a sua independência, necessária para a justa retribuição aos seus funcionários e para o investimento em inovação em seu conteúdo. Por isso, esta publicação entende que ganhar dinheiro com informação, considerando todos os requisitos estabelecidos neste documento, é mais do que uma troca de mercado – é explicitamente um dever ético.

Limites, no entanto, devem ser adotados. Além das já citadas propagandas de natureza estatal ou de empresas privadas inegavelmente envolvidas em escândalos de corrupção, esta publicação também rejeita a promoção de anúncios ligados ao mercado sexual ou religioso e não veicula propagandas desrespeitosas com minorias étnicas, sexuais ou religiosas.